Pacientes com dermatite atópica devem redobrar cuidados no outono

Estação de menor exposição solar contribui para a exacerbação da doença

Doença crônica, a dermatite atópica é uma inflamação na pele que costuma surgir na infância, podendo persistir na idade adulta, e apresenta sintomas que costumam aumentar em determinadas épocas do ano, como o outono — estação de transição entre o verão e o inverno. Segundo a doutora Bethânia Cavalli, dermatologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), os principais sintomas da doença são pele seca, coceira constante e intensa, vermelhidão, crostas e secreção.

Segundo a médica, em alguns casos, a dermatite atópica pode aparecer associada a outros distúrbios alérgicos, como bronquite, rinite e alergia alimentar. Em quadros mais graves da doença os sintomas refletem ainda no comportamento do paciente provocando ansiedade e depressão.

A chegada do outono exige que os pacientes portadores da doença tomem certos cuidados, pois as temperaturas baixas e o tempo seco da estação reduzem o nível de hidratação da pele causando irritação, ressecamento e até transpiração em excesso devido ao volume de roupas usadas no período.

“Quando nos referimos a esse tipo de doença, é preciso se atentar a características importantes do clima em questão, como a temperatura, a umidade, o vento e a radiação ultravioleta. Esses são elementos importantes e impactam, positivamente ou não, a evolução do quadro clínico da doença”, complementa a dermatologista.

Outro fator que merece atenção nesta época do ano é a poluição atmosférica. No outono costuma ocorrer o que especialistas chamam de inversão térmica – fenômeno meteorológico que bloqueia a circulação natural dos ventos. Esse bloqueio impede a dispersão dos poluentes, causando danos significativos à saúde da pele, principalmente se o ar estiver carregado de substâncias tóxicas, como tabaco, resíduos de materiais industriais ou de construção, fumaças e a presença de ácaros.

“Vários estudos associam a poluição com a exacerbação da dermatite atópica, pois as substâncias nocivas podem penetrar a pele através dos poros e dos pelos, induzindo uma resposta inflamatória e a alteração da barreira cutânea que agrava mais ainda a inflamação da pele”, complementa Bethânia.

Veja alguns cuidados que ajudam a evitar o agravamento da dermatite atópica no outono:

– Prefira roupas de algodão e evite aquelas de materiais que provocam irritações
– Utilize roupas leves e claras. Roupas muito apertadas e quentes podem causar sudorese
– Opte por lavar roupas com sabão de coco ou sabão neutro em vez de amaciantes, detergentes ou branqueadores
– Mantenha a temperatura do ambiente estável, arejando os cômodos da casa com a ventilação adequada evitando o uso excessivo de aquecedor
– Prefira carpetes, tapetes e brinquedos de materiais plástico, sintéticos ou madeira em vez de tecido de pelúcia

A médica recomenda ainda que os pacientes, ao menor sinal de inflamação na pele, “procure um médico especialista para que juntos planejem o tratamento mais adequado a fim de melhorar a coceira e as erupções, bem como evitar recorrências”, finaliza.

Fonte: Iamspe / Imagem ilustrativa: FreePik

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