Sem cura, doenças autoimunes exigem cuidados permanentes

As doenças autoimunes são aquelas causadas pelo próprio sistema imunológico, que passa a funcionar de forma inapropriada. O corpo humano, que é preparado para combater agentes externos, acaba confundindo os componentes do organismo com os agentes invasores e, como consequência, começa a atacá-los.

Nosso sistema imunológico é preparado para enfrentar bactérias, vírus, fungos e parasitas que invadem o nosso corpo. Mas quando ele não consegue diferenciar esses elementos, as células de defesa produzidas por ele se viram contra a pessoa, abrindo caminho para as doenças autoimunes.

Lúpus, vitiligo, esclerose múltipla, psoríase e artrite reumatoide são alguns dos tipos mais comuns de doenças autoimunes. Fatores genéticos podem favorecer o desenvolvimento dessas doenças. O tratamento, por sua vez, depende do quadro clínico, mas no geral, consiste na tentativa de reduzir os sintomas por meio do uso de medicamentos de forma frequente.

Em casos de doenças autoimune, o parecer médico é essencial para definir o tratamento mais adequado. Acompanhar o caso junto ao especialista garante um controle dos sintomas. Do contrário, o paciente pode apresentar complicações.

Cuidados devem ser tomados já que algumas enfermidades autoimunes, como a artrite reumatoide e o lúpus, podem evoluir para o surgimento de linfoma, um tipo de câncer que atinge as células do sistema linfático, quando as mesmas sofrem alterações e passam a se espalhar pelo organismo.

Lúpus: o que é e como cuidar

O lúpus é uma doença autoimune que atinge cerca de 65 mil pessoas no Brasil segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Essa enfermidade pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e de ambos os sexos, embora seja mais comum em mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 45 anos. O levantamento da instituição aponta que uma a cada 1.700 mulheres no país têm a doença.

Além disso, o lúpus também é considerado uma doença inflamatória crônica e seus sintomas variam conforme a gravidade. Existem dois tipos de lúpus: o cutâneo, que provoca manchas avermelhadas na pele, geralmente em áreas com maior exposição ao sol; e o sistêmico, mais grave, no qual órgãos internos podem ser afetados. Os dois tipos da doença apresentam sintomas comuns, como febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Esses indícios podem surgir de forma isolada ou em conjunto.

O diagnóstico é feito por um médico especialista em reumatologia, com base nos sintomas e em exames de sangue e de urina. O lúpus não tem cura, mas é possível controlar sua evolução. Como a doença apresenta variação de gravidade, a definição do tratamento é individualizada.

O acompanhamento do paciente com lúpus deve ser constante para evitar a piora do quadro. Se a doença avança e atinge os rins, por exemplo, um transplante pode ser necessário.

Pacientes em tratamento precisam, ainda, evitar exposição ao sol e usar protetor solar. Álcool, cigarro e outras drogas são proibidos, assim como o uso de pílulas anticoncepcionais. Elas são contraindicadas pois elevam os níveis de estrogênio no corpo da mulher, colocando-a em risco.

Pesquisas apontam novidades no tratamento

Atualmente, existem pesquisas que apontam um futuro mais positivo para o tratamento das doenças autoimunes, de modo que a sua conduta terapêutica possa se modificar e ofertar mais qualidade de vida aos pacientes.

Um estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, descobriu uma enzima ligada a processos metabólicos que também está envolvida na diferenciação de células imunes e, assim, presente no desenvolvimento de doenças autoimunes.

A pesquisa estabeleceu uma conexão entre o metabolismo celular e o sistema imune, e como as enzimas e outras moléculas são importantes para o sistema imunológico. A descoberta abre novos caminhos para a elaboração de tratamentos alternativos e mais eficazes das doenças autoimunes.

Segundo dados da pesquisa do CRID/USP, estima-se que cerca de 40% dos pacientes diagnosticados com doenças autoimunes, por algum motivo, não respondem bem aos tratamentos convencionais. Assim, os pesquisadores têm esperança de que, com novos medicamentos imunobiológicos, mais pessoas possam obter resultados satisfatórios em seus tratamentos.

Fonte: Rede D’or São Luiz / Foto ilustrativa: Freepik

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