SBD planeja capacitar médicos da rede pública para o diagnóstico precoce de casos de hidradenite supurativa

A implementação de um programa de capacitação de médicos da Atenção Primária, que atuam na Estratégia da Saúde Família (ESF), para identificarem casos de hidradenite supurativa (HS) de forma precoce é um dos projetos que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) pretende desenvolver até o fim de 2022. Além disso, a SBD pretende estimular os serviços de programas de residências credenciados à entidade a abrirem suas agendas para o atendimento dos pacientes com suspeita desse diagnóstico. Com essas medidas, anunciadas no mês de conscientização contra esse problema, espera-se qualificar a assistência e oferecer melhores condições de tratamento para a população.

Estimativas apontam que cerca de 2 milhões de brasileiros (em torno de 1% da população) convivem com a hidradenite supurativa, também conhecida como espinha invertida. Por conta de dificuldades de acesso da população à assistência capacitada para identificação dos casos, os pacientes com esse transtorno demoram, em média, 12 anos para saberem exatamente o que os acomete. Com isso, é retardado o início do tratamento e o controle efetivos da HS.

Sensibilização – Em junho, a SBD está veiculando uma campanha de sensibilização sobre o tema nas redes sociais, o que tem chamado a atenção da população. Com o uso de vídeos e peças, se busca orientar homens e mulheres sobre as formas de manifestação, prevenção e tratamento da doença. Neste sentido, o vice-presidente da SBD, Heitor de Sá Gonçalves, alerta: o diagnóstico precoce da hidradenite supurativa é essencial para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Por isso, além do treinamento dos profissionais, a Sociedade avalia ainda outras estratégias, como o uso sistemático da telemedicina para orientar os médicos da rede pública, que não são dermatologistas, no encaminhamento de casos suspeitos. “Precisamos orientar nossos profissionais sobre os aspectos que devem ser observados no exame clínico dos pacientes, o que na maioria das vezes é suficiente. É pouco frequente a necessidade de biópsias”, afirma Sá Gonçalves.

Remédios – Com tratamento reconhecido e abordagens terapêuticas com resultados concretos, os pacientes precisam do diagnóstico definitivo para usarem a medicação adequada para cada caso. Segundo o vice-presidente da SBD, “apesar de constarem do rol de serviços da rede pública, as pessoas ainda têm levado tempo para recebem os remédios que precisam. No Sistema Único de Saúde (SUS), os antibióticos e tratamentos tópicos são de difícil obtenção. Na rede pública, e também nos planos de saúde, os pacientes têm direito aos medicamentos imunobiológicos, indicados para aqueles que apresentaram falência terapêutica com o uso de medicação tradicional”.

A hidradenite supurativa é uma doença de pele crônica inflamatória, mais frequente em mulheres, após a puberdade. Ela se manifesta, preferencialmente, em áreas, como axilas, virilha, região genital, mamas e glúteos. Nestas partes do corpo, a pele tem uma maior concentração de uma glândula chamada sudorípara apócrina. Antes, acreditava-se que a hidradenite supurativa decorria da inflamação ou infecção destas estruturas. Na atualidade, estima-se que resulte da inflamação dos folículos pilosos.

Prevenção – As causas da hidradenite supurativa ainda não estão estabelecidas, mas ela é classificada como uma doença autoinflamatória (quando ocorre uma resposta inflamatória exagerada, que agride e danifica a pele e as estruturas associadas). Os especialistas acusam que histórico familiar, associação com outras alterações de saúde e alguns hábitos (tabagismo, obesidade e alimentação rica em carboidratos, açúcares e gordura animal, entre outros) influenciam no seu surgimento.

Desta forma, manter o peso adequado e não fumar são formas importantes de prevenção à doença. Além disto, as pessoas devem evitar o uso de roupas apertadas e o suor excessivo nestas áreas. No dia a dia, os médicos e pacientes com queixas de problemas de pele devem estar atentos a formas de manifestação da hidradenite supurativa.

Dentre elas, estão o surgimento de lesões inflamadas e dolorosas, como nódulos ou caroços, que podem exigir abertura e drenagem de pus. Estas manifestações tendem a persistir e recidivar, de modo que uma mesma lesão pode inflamar e desinflamar várias vezes no mesmo local. Com o tempo, vão surgindo novas lesões, ao lado das antigas e, sobre estas (mais velhas), cicatrizes.

O manejo da hidradenite supurativa varia de acordo com sua gravidade. Antibióticos em cremes, ou mesmo via oral, são utilizados no tratamento, assim como o uso de imunobiológicos. Em algumas mulheres, o uso de anticoncepcionais hormonais pode ajudar. Há lesões crônicas, associadas ou não a cicatrizes, para as quais se indica o tratamento cirúrgico, de forma prioritária.

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