Terapeuta pratica caminhadas com pacientes que estão em busca de autoconhecimento e bem-estar existencial

O filósofo clínico, Beto Colombo, afirma que a caminhada nos coloca no nosso lugar, nos ensina mais que qualquer mestre. Segundo ele o caminho lhe ensinará mais sobre você mesmo, do que 100 anos de silenciosa introspecção.

Uma simples caminhada pode trazer grandes benefícios para a saúde e o bem-estar mental. Dar um passeio pela cidade ou no parque não é apenas uma oportunidade para “esticar as pernas”. Caminhar é uma oportunidade de tempo para refletir, para pensar e para nos sentirmos estimulados por aquilo que vemos, ouvimos e observamos no exterior. É o que explica o filósofo clínico, Beto Colombo, que utiliza esse método terapêutico aliado a caminhada para ajudar pessoas que estão em busca do autoconhecimento e bem-estar existencial.

Beto Colombo realizou o caminho de Santiago da Compostela oito vezes e ao se deparar com centenas de apreciadores de grandes caminhadas, ele observou que caminhar nos coloca no nosso lugar, nos ensina mais do que qualquer mestre.

“É amargo como um remédio, cruel como um espelho, mas um longo trecho de caminho lhe ensinará mais sobre você mesmo, do que 100 anos de silenciosa introspecção”, afirma.

O filósofo clínico promove caminhadas com seus pacientes por todo o Brasil, como por exemplo, o Caminho da fé, o Caminho Sagrado e o Caminho do Rinoceronte. De acordo com ele, existem lugares tão lindos e pouco explorados, durante o percurso os peregrinos podem apreciar o que a região tem de melhor, que são suas belezas naturais, a história, a cultura, a culinária e a hospitalidade, além de realizarem paradas para refletir sobre o momento vivido, qual o seu papel, se redescobrir e recuperar sua qualidade de vida.

Diferentemente da psicologia, que utiliza conceitos prévios, a filosofia clínica é um método de estudo do ser humano que usa desde a herança grega até os dias atuais, é uma clínica fundamentada na própria filosofia. Por isso, Beto Colombo usa como base grandes mestres, que sabiam que enquanto caminhamos por longos trechos junto às árvores, rios, pássaros e animais, expandimos nosso poder cerebral, intensificando o fluxo de sangue para a cabeça.

O terapeuta explica que dessa forma, ampliamos a dimensão do hipocampo, onde as memórias são armazenadas. Com isso, melhoramos o desempenho cognitivo e estimulamos o nascimento de novas ideias.

“Caminhar com as próprias pernas nos dá autonomia. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau quando ele caminhava, caminhava para dentro de si, para que seus pensamentos se organizassem, e só depois disso colocava suas ideias no papel”.

Beto revela que quando vamos ao encontro das sensações, como numa longa caminhada, iniciamos um processo de liberação dos hormônios do bem-estar, como a endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina. Estimulado pelas caminhadas, esses hormônios, quando liberados em nosso corpo pelo sistema endócrino, criam uma grande sensação de bem-estar.

“Uma pessoa que caminha uma hora no dia, um período, uma semana ou até grande caminhada de um mês, notavelmente será uma pessoa com bem-estar existencial. Ao caminharmos, nos conectamos ao nômade que fomos e deixamos de lado o sedentário que nos tornamos” assegura.

Ele ainda recomenda que todos nós deveríamos comprar um bom tênis e sair para andar. “A caminhada é o melhor exercício possível, não só pra nossa saúde corporal, mas principalmente para nossa saúde mental. É mais que um simples andar de um ponto a outro, a caminhada aliada a terapia, alimenta a espiritualidade, a redescoberta, reconexão e a transformação”.

Por: Hochmüller Comunicação / Foto Ilustrativa: Freepik

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