O USO DA MÚSICA ENQUANTO RECURSO TERAPÊUTICO PARA CRIANÇAS COM TEA
THE USE OF MUSIC AS A THERAPEUTIC RESOURCE FOR CHILDREN WITH ASD
EL USO DE LA MÚSICA COMO RECURSO TERAPÉUTICO PARA NIÑOS CON TEA
Tipo de artigo: Resultado de pesquisa original
Ewerton Cardoso Matias
Mestre em Ensino na Saúde (UFAL)
Docente da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
Orcid: https://orcid.org/0009-0001-1020-626X
Lara Virgínia Romão Souza
Bacharel em Terapia Ocupacional
Orcid: https://orcid.org/0009-0004-6287-2389
Alynne Acioli Santos
Mestra em Psicologia (USM)
Docente da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2530-5161
Jéssica Bazilio Chaves
Mestra em Psicologia (UFAL)
Terapeuta Ocupacional na Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1395-8018
Mara Cristina Ribeiro
Doutora em Ciências (USP)
Docente do PPGSF/RENASF/UNCISAL
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6963-8158
Anthony Rodrigo Antunes Azevedo
Especialista em Saúde da Família (UNCISAL)
Terapeuta Ocupacional na Secretaria Municipal de Saúde de Recife
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6811-8473
RESUMO
Objetivo: Este estudo analisou a percepção de cuidadoras sobre a contribuição da música no tratamento de crianças com TEA em um programa municipal. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva e transversal, realizada com nove cuidadoras primárias, por meio de entrevistas semiestruturadas e questionário sociodemográfico, analisados pela técnica de Bardin. Resultados: os resultados mostraram que, embora desconhecessem inicialmente a música como recurso terapêutico, as participantes relataram benefícios no desenvolvimento da comunicação, motricidade e socialização. Entre os desafios, destacaram-se a adaptação insuficiente do ambiente, a necessidade de vínculo com o terapeuta, a continuidade em casa e o tempo limitado de terapia. Conclusão: conclui-se que a música é percebida como recurso relevante, sobretudo na promoção da interação social e comunicativa.
DESCRITORES: Transtorno do espectro autista; Música; Terapia complementar; Cuidadores; Desenvolvimento infantil.
ABSTRACT
Objective: This study analyzed caregivers’ perceptions of the contribution of music in the treatment of children with ASD in a municipal program.
Method: A qualitative, descriptive, and cross-sectional study was conducted with nine primary caregivers, through semi-structured interviews and a sociodemographic questionnaire, analyzed using Bardin’s Content Analysis technique.
Results: The findings showed that although participants were initially unfamiliar with music as a therapeutic resource, they reported benefits in the development of communication, motor skills, and socialization. Challenges included insufficient adaptation of the therapeutic environment, the need for bonding with the therapist, continuity at home, and limited therapy time.
Conclusion: Music is perceived as a relevant resource, especially in promoting social and communicative interaction.
RESUMEN
Objetivo: Este estudio analizó la percepción de cuidadoras sobre la contribución de la música en el tratamiento de niños con TEA en un programa municipal. Método: Se trata de una investigación cualitativa, descriptiva y transversal, realizada con nueve cuidadoras primarias, a través de entrevistas semiestructuradas y un cuestionario sociodemográfico, analizados mediante la técnica de Análisis de Contenido de Bardin. Resultados: Los hallazgos mostraron que, aunque inicialmente las participantes desconocían la música como recurso terapéutico, informaron beneficios en el desarrollo de la comunicación, la motricidad y la socialización. Entre los desafíos se destacaron la insuficiente adaptación del entorno terapéutico, la necesidad de vínculo con el terapeuta, la continuidad en el hogar y el tiempo limitado de terapia. Conclusión: Se concluye que la música es percibida como un recurso relevante, especialmente en la promoción de la interacción social y comunicativa.
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, no qual o indivíduo pode apresentar uma série de condições caracterizadas por algum nível de comprometimento social e na comunicação (1).
Caracteriza-se por uma condição na qual ocorrem alterações básicas de comportamento e interação social, apresentando dificuldades na comunicação, tanto na linguagem verbal quanto na não verbal, alterações cognitivas e interesses restritos que são singulares para o indivíduo, demonstrando comportamentos estereotipados e repetitivos (2).
Pensando nas estratégias de intervenções atuais para essa população, a música é considerada uma aliada, enquanto instrumento terapêutico, para potencializar habilidades, sendo um meio de expressão não verbal que favorece a comunicação e a manifestação de sentimentos, além de facilitar a interação entre terapeuta e paciente (3). A música pode ser considerada uma tecnologia simples e inovadora de cuidado, levando em consideração a nossa cultura musical, que facilita a expressão de emoções e possibilita focalizar aspectos saudáveis do paciente (4).
Contudo, ainda são limitadas as evidências sobre como cuidadores primários percebem intervenções musicais oferecidas em serviços municipais. Diante disso, buscou-se compreender: qual é a percepção dos cuidadores primários sobre a contribuição da música como recurso terapêutico para crianças com Transtorno do Espectro Autista em um programa municipal conduzido por profissionais de saúde em geral?
Quanto ao público-alvo do estudo, que consiste no cuidador principal de crianças com TEA, a literatura apresenta diversas formas de categorizá-lo, considerando grau de parentesco, natureza da assistência, frequência do suporte e arranjo de residência. O cuidador primário é descrito como aquele que assume a responsabilidade principal ou majoritária nos cuidados, exercendo essa atividade por pelo menos seis semanas a cada trimestre, sem remuneração (7).
Neste trabalho não se aborda a musicoterapia, por ser prática terapêutica privativa do musicoterapeuta, e sim o uso da música no cuidado a crianças com TEA (8). O objetivo foi analisar a percepção de cuidadores sobre a contribuição da música como recurso terapêutico para crianças com TEA em um programa municipal, conduzido por profissionais de saúde em geral, visando favorecer interação, comunicação e comportamento com ludicidade e musicalidade.
MÉTODO
Trata-se de um estudo exploratório, transversal, de abordagem qualitativa e caráter descritivo. A amostra foi não probabilística, por conveniência, composta por nove cuidadores primários de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) inseridas em sessões de música do programa CresSer Autista, desenvolvido no Centro de Diagnóstico Municipal de Murici-AL. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (CAAE: 73031423.70000.5011).
Foram incluídos cuidadores de crianças com TEA participantes das sessões de música; foram excluídos aqueles ausentes no dia da coleta. Após esclarecimento dos objetivos e procedimentos, os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
A coleta ocorreu entre 10 e 21/12/2023, por meio de entrevista semiestruturada e questionário sociodemográfico. As entrevistas, com duração de 5 a 10 minutos, foram realizadas individualmente no próprio local das sessões, em ambiente reservado, sendo gravadas, transcritas integralmente e analisadas pela técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (9).
Para preservar o anonimato, os participantes foram identificados por números (01 a 09), em conformidade com as Resoluções 466/2012 (10) e 510/2016 (11). A análise seguiu as etapas de pré-análise, exploração do material (codificação e categorização) e tratamento dos resultados, com interpretação fundamentada em referenciais teóricos pertinentes.
RESULTADOS
No Quadro 1, foi destacado o perfil sociodemográfico dos participantes da pesquisa, quanto ao sexo, faixa etária, grau de parentesco, nível de escolaridade, classificação econômica e o tempo no programa.
Quadro 1- Caracterização do perfil sociodemográfico dos cuidadores, Alagoas, Brasil, 2023.
Participante | Sexo | Faixa etária | Grau de parentesco | Escolaridade | Classificação econômica | Tempo no programa |
Cuidador 1 | F | 22 | Mãe | E. secundário | Média | 1ª6m |
Cuidador 2 | F | 36 | Mãe | E. superior completo | Média | 8m |
Cuidador 3 | F | 36 | Mãe | E. secundário | Média | 1m |
Cuidador 4 | F | 41 | Mãe | E. secundário | Boa | 3m |
Cuidador 5 | F | 43 | Mãe | E. secundário | Média | 2ª |
Cuidador 6 | F | 46 | Mãe | E. secundário | Média | 1ª |
Cuidador 7 | F | 32 | Mãe | E. secundário | Média | 3m |
Cuidador 8 | F | 41 | Mãe | E. secundário | Média | 2m |
Cuidador 9 | F | 33 | Mãe | E. secundário | Média | 4m |
Fonte: Autores do estudo (2023).
Como apresentado no Quadro 1, participaram um total de nove cuidadoras, do sexo feminino, na faixa etária entre 22- 46 anos, em totalidade mães, todas com ensino médio completo, apenas uma com ensino superior. A maioria classificou as suas respectivas rendas pecuniárias como média e o tempo de permanência no programa varia entre 1 mês a 2 anos.
Ao que confere a exploração do material, o encontro e os direcionamentos das falas das cuidadoras permitiram a visualização de temas e categorias a fim de embasar o objeto da pesquisa, exemplificadas no Quadro 2 abaixo:
Quadro 2 – Temas e categorias - Alagoas, Brasil, 2023
Temas | Categorias |
O conhecimento prévio sobre o uso da música. A importância da música no tratamento Ambiente terapêutico inclusivo A singularidade do sujeito | O uso da música enquanto recurso terapêutico para crianças com TEA |
Relação do uso da música para o desenvolvimento nas habilidades Relação do uso da música para o desenvolvimento das habilidades sociais Relação do uso da música para o desenvolvimento das demandas cotidianas A música como terapia complementar. | Atribuições ao uso da música para o desenvolvimento das áreas de comunicação, interação social e demandas cotidianas. |
Fonte: Autores do estudo (2023).
Os critérios considerados para a formação das temáticas e das categorias expostas no quadro acima tiveram relação com a relevância, a frequência e a intensidade das falas, por ser indicativo do próprio método de pesquisa. Ao total foram identificadas duas categorias, descritas como: 1) O uso da música enquanto recurso terapêutico, e 2) Atribuições ao uso da música para o desenvolvimento das áreas de comunicação, interação social e demandas cotidianas.
O uso da música enquanto recurso terapêutico para crianças com TEA
Ao serem indagadas sobre a importância e conhecimento prévio do uso da música como ferramenta terapêutica, as participantes relataram desconhecimento inicial e perceberam o recurso como forma de distração. Alguns relatos:
Eu não tinha conhecimento da importância. Eu trouxe porque ele estava muito em casa, na cama, não saia… (C9)
Eu já tinha ouvido falar, quando soube que aqui estava tendo, resolvi colocar (C5)
Olha, eu não tinha conhecimento prévio sobre o uso da música no tratamento… (C7)
Não, não. Eu não tinha nada (C1)
As cuidadoras destacaram que a música provoca sentimentos positivos e auxilia no desenvolvimento cognitivo, motor e da comunicação das crianças. Também mencionaram a importância de um ambiente terapêutico adaptado e acolhedor, e do estabelecimento de vínculo entre terapeuta e criança, que contribuem para a participação ativa e a satisfação da família:
E eu acho que pra eles é muito importante a questão motora, a questão do ouvir, do cantar, repetir a música. Acho muito importante. (C2)
Assim… ele está muito relutante. A sala não é adaptada para terapia musical... (C3)
Atribuições ao uso da música para o desenvolvimento das áreas de comunicação, interação social e demandas cotidianas
Ao serem questionadas sobre o desenvolvimento da comunicação das crianças após a terapia musical, as participantes foram capazes de descrever mudanças e progressos positivos, apenas uma cuidadora não percebeu melhora, como mostra a seguir:
Sim, ele era antes, quando... até os 5 anos ele não falava. Ele só gritava ou falava e a gente não entendia nada. Mas depois que ele começou a fono, aí ele melhorou. Com o tempo, eu acho que ele começou a música, acho que ele tinha uns sete para oito. Aí ele evoluiu mais. Hoje tá... tagarela. (C2)
Tá, tá demais. Tá demais, assim, ela tá tendo uma progressão boa. (C5)
Sim, porque ele não falava e graças ao acompanhamento tanto com a música quanto com a fono que ele tem lá, a fala dele está se desenvolvendo muito melhor. (C7)
Tá. É, porque não é só o som. Ele já... ele já sabe, é... é... Tipo assim, ele usa o som e através do som ele já vai se comunicando, vai trabalhando a fala. (C6)
Não, com respeito à música, não. Não, de forma alguma. Por meio das outras terapias, a fono, a t.o e a psicóloga, né?. (C3)
De acordo com as falas, é visto que as considerações são singulares. A C2 e C7 relacionam a ampliação da comunicação a terapia com a fonoaudiologia e a música. A C5 percebe que a criança está tendo uma boa progressão, como a mesma aponta. A C6 relata que sua criança está evoluindo e descreve os processos da música para a evolução nessa área. Entretanto, a C3 não vincula o desenvolvimento da comunicação à música, pois segundo ela os avanços alcançados se dão em função do tratamento com a fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia.
Em relação às habilidades sociais, elas relatam a dificuldade de interação e de iniciativa das crianças em se comunicar, em brincar, da dificuldade em tolerar ambientes com aglomeração e em fazer trocas recíprocas com outras pessoas. Porém, houveram falas demonstrando os pontos positivos na evolução nessa respectiva área.
Eu achei assim, principalmente depois que eu comecei trazer ele, era um pouquinho meio fechado, com as pessoas, aí depois ele melhorou. (C1)
Aos poucos sim. (C3)
Uhum. Conversa, rir mais, que ele era mais fechado, né? (C9)
Tá. Tá brincando. Pela primeira vez ela me pediu pra ir pra praça. Que teve um evento na praça. E a escola é na praça. Ela não gosta de muita gente. Ela detesta um ambiente que tem muita gente. E pela primeira vez ela me pediu, porque ia ter música, e o professor de música ia cantar. (C5)
Meu filho é aquela coisa, ele chega e se aceita um falar oi e depois some. Ou às vezes ele chega e fica puxando a some (...) Mas assim, isso dele chegar a sentar e pedir pra brincar, é raro. (C2)
Já. Não muito ainda, mas a gente está vendo que ele já está sabendo se aproximar mais. (C7)
Como relatado nas falas, a C1, C3 e C9 afirmam que suas crianças estão interagindo mais com outras pessoas, que as expressões faciais estão mudando, que antes elas não sorriam com tanta facilidade e que a mudança foi significativa após o início das terapias, como afirma a C1.
Conforme descrito acima, as mães relataram as particularidades, dificuldades e progressos na comunicação, na interação social e no desempenho de atividades cotidianas.
As participantes quando foram indagadas acerca das atribuições mencionadas por elas em relação ao uso da música no tratamento, quanto ao desenvolvimento da comunicação, socialização e demandas cotidianas, cinco afirmaram que as evoluções de suas crianças não se davam apenas pela terapia musical, mas sim pelo o conjunto de abordagens e profissionais envolvidos, como: Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicologia e a Terapia Musical. De acordo com as suas percepções, o uso da música no tratamento é um facilitador neste processo e está relacionado a uma terapia complementar, como citado abaixo.
Também (tom baixo) como uma mistura de tudo, né? É um complemento, né? Porque tem a época que ele faz uma música, ele faz jiu-jiuts ele tem a T.O..., Aí um complemento com o outro. Isso é bom. (C2)
De modo geral sim. A música veio pra somar. (C1)
Como falei, só a música não, essas evoluções se dão pelas terapias que ele vem fazendo. Que eu percebo, né? (C3)
Da música e das terapias, né? Porque a música faz pouco tempo. Talvez se ela estivesse com mais tempo na música, eu poderia ver um desenvolvimento maior. Até como eu expliquei, por ela estar no começo agora, entre ela e outros meninos também, a professor percebe que ela é bem desenrolada, ela tenta, ela tenta sempre ir em busca do que ele está ensinando, para essa função e tal. Tem dificuldade, porque faz pouco tempo, mas acredito eu que daqui a uns dias...ela vai estar tocando alguma musiquinha completa, ele disse que algumas notinhas ela já pegou (risos). (C8)
DISCUSSÃO
Os resultados evidenciam que, embora a maioria das cuidadoras não tivesse conhecimento prévio da música como recurso terapêutico, elas reconheceram seu potencial em favorecer o desenvolvimento das crianças com TEA.
A literatura corrobora essas percepções, apontando que a experiência musical favorece processos neurofisiológicos, psicológicos, motores e cognitivos, além de estimular socialização e afetividade (12,13). A música auxilia ainda no desenvolvimento de processos complexos, como atenção, memória, planejamento e controle motor, sendo considerada um recurso capaz de ampliar experiências em diferentes áreas do desenvolvimento (12,14).
Outro aspecto relevante refere-se à adaptação do ambiente terapêutico. As participantes relataram a importância de espaços acolhedores e atrativos para o público infantil, o que converge com evidências que reforçam a necessidade de contextos terapêuticos favoráveis à participação ativa das crianças (13).
O atendimento personalizado foi igualmente valorizado, dado que crianças com TEA apresentam sintomas e níveis variados. A literatura reforça que a musicoterapia deve considerar a singularidade do sujeito, respeitando suas potencialidades, dificuldades e preferências (13).
No campo emocional, a música foi percebida como facilitadora da expressão de sentimentos e promotora de bem-estar. Estudos demonstram que a terapia musical possibilita manifestações ligadas a alegria, relaxamento e paz interior, reforçando seu caráter humanizado (15).
No aspecto social, a música se configura como linguagem que estimula sinapses, beneficiando interação, fala e comunicação (16). Pesquisas em neurociência comprovam que estímulos sonoros se associam a respostas fisiológicas e emocionais, favorecendo a socialização e a adaptação ao meio (17).
Apesar de seu valor, as cuidadoras compreendem a música como parte de um conjunto de terapias complementares. Tal compreensão converge com a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA (Lei nº 12.764/2012), que prevê atendimento multiprofissional, e com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), que reconhece a musicoterapia como abordagem complementar no Sistema Único de Saúde (18,19).
Por fim, os achados deste estudo corroboram pesquisas que destacam a intervenção musical como promotora de socialização, comunicação verbal e não verbal, autoexpressão e manifestação da subjetividade, contribuindo significativamente para a qualidade de vida de crianças com TEA (20).
CONCLUSÃO
As percepções das cuidadoras revelaram experiências singulares, relacionadas ao diagnóstico e ao tratamento de seus filhos. Os relatos destacaram avanços nas habilidades das crianças a partir das terapias multidisciplinares, reconhecendo a música como recurso relevante, porém complementar. A dificuldade de algumas participantes em identificar progressos pode estar associada à recente inserção das crianças no programa, à ausência de continuidade das atividades em casa, à carga horária limitada das terapias, à necessidade de fortalecimento do vínculo terapêutico e à constante atualização do profissional de música frente às especificidades do TEA.
Entre as limitações do estudo, destaca-se o número reduzido de participantes (nove cuidadoras), o que restringe a generalização dos resultados. Ainda assim, observa-se que a música tem se mostrado cada vez mais presente no cuidado a crianças com TEA, apresentando benefícios sobretudo nas habilidades sociais e de comunicação. Nesse sentido, reforça-se a relevância de ampliar pesquisas de campo que investiguem a eficácia da música como recurso terapêutico no tratamento do transtorno do espectro autista.
REFERÊNCIAS