Prevalência de Tabagismo e Fatores Associados em Pacientes Hipertensos Acompanhados na Atenção Primária em Fortaleza, Ceará.
Prevalence of Smoking and Associated Factors in Hypertensive Patients Followed in Primary Care in Fortaleza, Ceará.
Prevalencia del Tabaquismo y Factores Associados en Pacientes Hipertensos Acompañados en Atención Primaria en Fortaleza, Ceará.
Tipo de Artigo: Artigo de Estudo Primário
Autores
Yuri Felix Brandão
Discente, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-6445-5324
Lourrany Borges Costa
Mestre em Saúde Pública, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6334-8624
Amanda Coelho Sales Bernardes
Médica de Família e Comunidade, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0009-0006-6144-8441
Tiago Torquato Santos Augusto Gonçalves
Discente, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0009-0000-6319-4488
Bruno Santos Chaves
Discente, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-1810-3408
Luís Fernando Porto de Assis
Discente, Universidade de Fortaleza.
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-4631-1706
RESUMO
Objetivo: Estimar a prevalência de tabagismo e identificar fatores associados entre hipertensos acompanhados em um Posto de Saúde de Fortaleza, Ceará. Métodos: Estudo transversal analítico com amostra consecutiva de 120 adultos hipertensos, recrutados entre dezembro de 2024 e agosto de 2025. Foi aplicado questionário eletrônico para obtenção de informações sociodemográficas, comportamentais, sintomas cardiorrespiratórios, conhecimentos sobre hipertensão e tabagismo e dependência nicotínica pelo teste de Fagerström. Resultados: A prevalência de tabagismo foi de 20,8%. Após ajuste, o etilismo associou-se independentemente ao tabagismo (RP = 8,00; IC95% = 1,14–56,21; p = 0,036), assim como a presença de sintomas respiratórios (RP = 2,46; IC95% = 1,07–5,66; p = 0,034). Nos tabagistas, o escore médio de Fagerström foi 4,7 (mediana = 4), e 48% apresentaram dependência moderada ou alta. Conclusões: O tabagismo esteve associado sobretudo ao etilismo e a sintomas respiratórios. Estratégias de cessação devem contemplar esses fatores.
DESCRITORES: Doenças Crônicas Não Transmissíveis; Fatores de Risco; Hipertensão Arterial; Tabagismo; Atenção Primária.
ABSTRACT
Objective: To estimate smoking prevalence and identify associated factors among hypertensive followed at a primary health center in Fortaleza, Ceará. Method: An analytical cross-sectional study with a consecutive sample of 120 hypertensive adults recruited between December 2024 and August 2025. An electronic questionnaire was applied to obtain information on sociodemographic and behavioral aspects, cardiorespiratory symptoms, knowledge about hypertension and smoking and nicotine dependence using the Fagerström test. Results: The prevalence of smoking was 20.8%. After adjustment, alcohol consumption was independently associated with smoking (PR = 8.00; 95% CI = 1.14–56.21; p = 0.036), as was the presence of respiratory symptoms (PR = 2.46; 95% CI = 1.07–5.66; p = 0.034). Among smokers, the mean Fagerström score was 4.7 (median = 4), and 48% presented moderate or high dependence. Conclusion: Smoking was primarily associated with alcoholism and respiratory symptoms. Cessation strategies should address these factors.
DESCRIPTORS:
RESUMEN
Objetivo: Estimar la prevalencia del tabaquismo e identificar factores asociados entre hipertensos en un centro de salud en Fortaleza, Ceará. Método: Estudio transversal con 120 hipertensos reclutados entre diciembre de 2024 y agosto de 2025. Se aplicó un cuestionario electrónico para obtener aspectos sociodemográficos, síntomas cardiorrespiratorios, conocimiento sobre hipertensión y tabaquismo y dependencia de la nicotina mediante la prueba de Fagerström. Resultados: La prevalencia del tabaquismo fue 20,8%. El alcoholismo se asoció independientemente con el tabaquismo (RP = 8,00; IC del 95% = 1,14–56,21; p = 0,036), similarmente que los síntomas respiratorios (RP = 2,46; IC del 95% = 1,07–5,66; p = 0,034). La puntuación media de Fagerström fue de 4,7 (mediana = 4), y el 48 % presentó dependencia moderada o alta. Conclusión: El tabaquismo se asoció principalmente con el alcoholismo y los síntomas respiratorios. Las estrategias para dejar de fumar deben abordar estos factores.
DESCRIPTORES:
INTRODUÇÃO
O tabagismo integra o grupo de transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas e permanece a principal causa evitável de adoecimento e mortes prematuras(1). A Organização Mundial da Saúde, em 2023, estimou que mais de oito milhões de óbitos anuais sejam atribuídos ao tabaco, incluindo cerca de um milhão decorrente da exposição passiva(1). Em países de baixa e média renda, onde vive a maioria dos fumantes, o ônus do tabagismo é ainda maior(1).
No Brasil, políticas públicas como proibição de propaganda de cigarros e advertências em maços contribuíram para reduzir a proporção de fumantes adultos de 15,7% em 2006 para 9,5% em 2020(2). Apesar dos avanços, a proporção de ex-fumantes permanece elevada, e o tabagismo continua associado a doenças crônicas não transmissíveis, representando importante desafio de saúde pública(2).
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição caracterizada por níveis pressóricos ≥ 140 mmHg de pressão sistólica e/ou 90 mmHg de pressão diastólica aferidos no consultório em pelo menos duas ocasiões, constituindo uma das principais causas de eventos cardiovasculares e renais(3). De acordo com o Boletim Epidemiológico Vigitel Brasil 2023, 24,8% da população adulta de Fortaleza, Ceará, referiu ser hipertensa, sendo a predominância nos sexos masculino e feminino de 23,8% e 25,6%, respectivamente(4). Diretrizes brasileiras de hipertensão reconhecem o tabagismo como um dos maiores fatores de risco cardiovascular: o cigarro causa aumento agudo de 5-10 mmHg na pressão arterial e favorece a aterosclerose, justificando a recomendação enfática de cessação(3). Além disso, o tabagismo está associado a outras doenças crônicas como diabetes, dislipidemia e doença renal, potencializando os riscos quando coexistem(5).
Na atenção primária à saúde (APS), a prevenção e o controle da hipertensão e do tabagismo são prioridades(2). O Ministério da Saúde brasileiro ressalta que a APS é o espaço ideal para oferta de abordagens de cessação do tabagismo, sendo responsável por identificar grupos de risco, promover educação em saúde e garantir a continuidade do cuidado(2). Recomendações para prevenção e controle da HAS incluem alimentação saudável, consumo controlado de sódio e álcool, ingestão de potássio, combate ao sedentarismo e ao tabagismo(6). Evidências nacionais mostram que, embora a maioria dos hipertensos acompanhados na APS seja não fumante, o histórico de tabagismo e a associação com consumo de álcool ainda são frequentes, revelando desafios persistentes para a prática clínica(6).
Apesar da relevância do tema, poucos estudos brasileiros examinaram os fatores associados ao tabagismo entre pacientes hipertensos atendidos na APS em Fortaleza. Compreender esses determinantes é essencial para orientar intervenções de cessação integradas ao cuidado da HAS.
Este estudo objetivou estimar a prevalência de tabagismo e identificar fatores comportamentais, clínicos e sociodemográficos associados entre usuários hipertensos de uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) em Fortaleza.
MÉTODO
Desenho do Estudo e Local
Realizou‑se estudo transversal analítico. A pesquisa foi executada na Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) Dr. Marcus Aurélio Lima Verde, localizada no bairro Jangurussu, Fortaleza, Ceará. A UAPS presta assistência a uma população urbana de aproximadamente 18 mil habitantes(7).
Participantes e Critérios de Elegibilidade
Foram elegíveis indivíduos de ambos os sexos, com idade ≥ 18 anos, com diagnóstico de HAS registrado na UAPS e cadastrados como usuários. Excluíram‑se pessoas com condições graves que pudessem comprometer a compreensão do questionário. Os participantes foram identificados nos registros eletrônicos da UAPS e convidados por telefone ou presencialmente. Após esclarecimento sobre objetivos e procedimentos, aqueles que concordaram assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Tamanho da Amostra e Recrutamento
O cálculo amostral foi baseado na proporção de hipertensos na população de Fortaleza (24,8%)(4), nível de confiança de 95% e erro de 5%, estimando‑se necessidade de 287 participantes. Devido a restrições logísticas, recrutaram‑se consecutivamente 120 hipertensos entre dezembro de 2024 e agosto de 2025. Todos os participantes completaram o questionário, sem perdas ou recusas.
Definições Operacionais
• Tabagista atual: indivíduo que relatou fumar ao menos um cigarro por dia nos últimos 30 dias(4).
• Ex-tabagista: indivíduo que relatou consumo regular anterior de tabaco, mas encontrava-se em abstinência ≥6 meses(4).
• Nunca fumou: indivíduos que nunca fumaram ou fumaram <100 cigarros ao longo da vida(4).
• Etilismo: classificado de acordo com critérios do Vigitel/MS em consumo atual, consumo pregresso e nunca consumiu; para análises, foi dicotomizado em sim/não(4).
• Sedentarismo: ausência de prática regular de atividade física autorreferida(4).
• Dependência nicotínica: avaliada pelo Teste de Fagerström para Dependência de Nicotina, versão validada para o Brasil(8). A pontuação varia de 0 a 10, categorizada como muito baixa (0–2), baixa (3–4), moderada (5–6) e alta/muito alta (7–10)(8).
Coleta de Dados
A coleta ocorreu nas dependências da UAPS, onde os participantes preencheram um questionário eletrônico com auxílio de pesquisadores capacitados. O instrumento contemplou: (i) dados sociodemográficos (sexo, escolaridade); (ii) hábitos de vida (consumo de álcool, prática de atividade física); (iii) sintomas cardiorrespiratórios (dor torácica, palpitação, tosse e dispneia); (iv) conhecimento sobre o tabagismo como fator de risco para HAS, complicações da hipertensão, complicações do cigarro e benefício da cessação; (v) história familiar de hipertensão e comorbidades; e (vi) escore de dependência nicotínica pelo teste de Fagerström para fumantes. O teste atribui pontos conforme o tempo até o primeiro cigarro, dificuldade em não fumar em locais proibidos, importância do primeiro cigarro, número de cigarros por dia, maior frequência de fumo pela manhã e uso de cigarro mesmo estando doente(8). Os dados foram exportados para planilha criptografada acessível apenas aos pesquisadores.
Análise Estatística
As análises foram realizadas no software Jamovi(9). Variáveis contínuas foram descritas por médias e desvios padrão ou medianas e intervalos interquartis conforme distribuição avaliada pelo teste de Shapiro–Wilk.
Variáveis foram categorizadas conforme definições operacionais previamente estabelecidas: etilismo foi dicotomizado como “sim” (consumo atual ou cessado) ou “não”; sedentarismo foi definido pela ausência de prática regular de atividade física; sintomas cardiorrespiratórios foram recategorizados em presença de qualquer sintoma; variáveis de conhecimento foram classificadas em sim ou não; escolaridade foi dicotomizada em ensino médio/superior e ensino fundamental/nenhum; história familiar de HAS presente ou ausente; sexo masculino ou feminino. O teste de Fagerström gerou escore de 0–10 pontos, categorizado em baixa (0–4), moderada (5–6) ou alta dependência (≥ 7).
A associação entre tabagismo e variáveis categóricas (prevalência de tabagismo entre os expostos versus a prevalência entre os não expostos) foi avaliada por meio de testes do qui‑quadrado de Pearson (ou exato de Fisher quando apropriado) utilizando tabelas de contingência 2×2 ou maiores. Para variáveis ordinárias (tempo de hipertensão), estimou‑se a média e a mediana de cada grupo e aplicou‑se o teste t para comparação de médias. A Tabela 1 representa a correspondência entre o teste utilizado e a variável/comparação.
Variável/Comparação | Teste utilizado |
Consumo de álcool (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Prática de atividade física (Sedentário vs. Ativo) | Teste exato de Fisher |
Dor torácica/palpitação (Presença de sintomas) | Qui-quadrado |
Sintomas respiratórios (Presença de sintomas) | Qui-quadrado |
Conhece que fumar é fator de risco para HAS (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Conhece complicações da hipertensão (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Conhece complicações do tabagismo (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Sabe que cessar o tabagismo melhora a HAS (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Comorbidades além da HAS (Sim vs. Não) | Teste exato de Fisher |
Histórico familiar de hipertensão (Presente vs. Ausente) | Teste exato de Fisher |
Sexo (Masculino vs. Feminino) | Teste exato de Fisher |
Escolaridade (Médio/Superior vs. Fundamental/Nenhum) | Teste exato de Fisher |
Tabela 1: Acervo Pessoal dos Autores.
Variáveis com p < 0,20 na análise bivariada ou consideradas teoricamente relevantes foram incluídas em modelo multivariado de regressão de Poisson com variância robusta, tendo como variável desfecho o status de tabagismo (fumante ou não fumante). Foram reportadas razões de prevalência (RP) com intervalos de confiança de 95%. Os p-valores foram obtidos pelo teste de Wald para cada coeficiente do modelo. Adicionalmente, ajustou-se regressão logística para estimar odds ratios (OR), apresentada como análise de sensibilidade(10). A qualidade do ajuste do modelo foi verificada pelo teste de Hosmer–Lemeshow. O nível de significância adotado foi de 5%.
Considerações Éticas
A pesquisa atendeu à Declaração de Helsinque e à Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza (Parecer nº 7.307.431/2024 e CAAE n° 85091524.8.0000.5052). Todos os participantes assinaram termo de consentimento informado e tiveram garantia de anonimato e confidencialidade.
RESULTADOS
Perfil dos Participantes
O perfil geral dos participantes está ilustrado na Tabela 2. O estudo incluiu 120 pacientes hipertensos, dos quais 25 (20,8%) eram tabagistas. A amostra foi composta predominantemente por mulheres, que representaram 65,8% (79/120), enquanto os homens corresponderam a 34,2% (41/120). Em relação à escolaridade, observou-se maior frequência de indivíduos com ensino fundamental incompleto (60/119; 50,4%), seguido por ensino médio incompleto (15/119; 12,6%), ausência de escolaridade formal (17/119; 14,3%) e ensino médio completo (12/119; 10,1%); apenas 6 participantes tinham ensino superior completo (5,0%) e 3 (2,5%) ensino superior incompleto. O tempo de diagnóstico da hipertensão variou, sendo mais comum o intervalo de 10 a 20 anos (46/120; 38,3%), seguido por 5 a 10 anos (26/120; 21,7%), 1 a 3 anos (19/120; 15,8%), 3 a 5 anos (17/120; 14,2%) e menos de 1 ano (12/120; 10,0%).
Entre os fumantes, 56% eram mulheres e 44% homens, enquanto entre os não fumantes a proporção feminina foi de 69,5%. O consumo atual ou passado de álcool mostrou-se mais frequente entre fumantes (96%) do que entre não fumantes (62%). A presença de sintomas cardiorrespiratórios foi relatada por 72% dos fumantes e 44% dos não fumantes, enquanto sintomas respiratórios ocorreram em 76% e 45%, respectivamente. A maioria dos fumantes reconhecia o cigarro como fator de risco para hipertensão (92%) e sabia que a cessação poderia melhorar o controle pressórico (84%), proporções mais elevadas do que entre os não fumantes (59% e 46%, respectivamente).
No conjunto total, 81,7% (98/120) dos participantes relataram alguma comorbidade além da hipertensão, e 90,8% (109/120) referiram história familiar da doença. O conhecimento sobre tabagismo e hipertensão variou: 79 (65,8%) identificaram o fumo como fator de risco, 73 (60,8%) sabiam das complicações da hipertensão, 78 (65,0%) reconheciam as complicações do cigarro e 65 (54,2%) tinham ciência de que parar de fumar melhora a condição clínica. Quanto à sintomatologia, metade da amostra (60/120; 50,0%) não apresentava dor torácica nem palpitação, enquanto 40 (33,3%) relataram pelo menos um desses sintomas. Em relação às manifestações respiratórias, 62 (51,7%) referiram tosse, dispneia ou fadiga, enquanto 58 (48,3%) não apresentavam tais queixas. A prática de atividade física foi mencionada por 43 (35,8%) indivíduos, contrastando com 77 (64,2%) que se declararam sedentários. O consumo de álcool, atual ou pregresso, foi relatado por 83 (69,2%), enquanto 37 (30,8%) afirmaram nunca ter ingerido bebida alcoólica.
Característica | Categoria | N (%) | Tabagistas (N = 25) | Não tabagistas (N = 95) |
Sexo | Feminino | 79 (65,8 %) | 14 (56,0 %) | 66 (69,5 %) |
Masculino | 41 (34,2 %) | 11 (44,0 %) | 29 (30,5 %) | |
Escolaridade | Analfabeto | 17 (14,2 %) | 6 (24,0 %) | 12 (12,6 %) |
Ensino fundamental incompleto | 60 (50,0 %) | 10 (40,0 %) | 50 (52,6 %) | |
Ensino fundamental completo | 6 (5,0 %) | 0 (0,0 %) | 6 (6,3 %) | |
Ensino médio incompleto | 15 (12,5 %) | 4 (16,0 %) | 11 (11,6 %) | |
Ensino médio completo | 12 (10,0 %) | 4 (16,0 %) | 8 (8,4 %) | |
Ensino superior incompleto | 3 (2,5 %) | 0 (0,0 %) | 3 (3,2 %) | |
Ensino superior completo | 6 (5,0 %) | 1 (4,0 %) | 5 (5,3 %) | |
Tempo desde o diagnóstico de hipertensão | < 1 ano | 12 (10,0 %) | 5 (20,0 %) | 7 (7,4 %) |
1–3 anos | 19 (15,8 %) | 2 (8,0 %) | 17 (17,9 %) | |
3–5 anos | 17 (14,2 %) | 2 (8,0 %) | 15 (15,8 %) | |
5–10 anos | 26 (21,7 %) | 5 (20,0 %) | 21 (22,1 %) | |
10–20 anos | 46 (38,3 %) | 11 (44,0 %) | 35 (36,8 %) | |
Comorbidade(s) prévia(s) | Não | 22 (18,3 %) | 3 (12,0 %) | 19 (20,0 %) |
Sim | 98 (81,7 %) | 22 (88,0 %) | 76 (80,0 %) | |
Histórico familiar de hipertensão | Não | 11 (9,2 %) | 3 (12,0 %) | 8 (8,4 %) |
Sim | 109 (90,8 %) | 22 (88,0 %) | 87 (91,6 %) | |
Conhece que o fumo é fator de risco para hipertensão | Não | 41 (34,2 %) | 2 (8,0 %) | 39 (41,1 %) |
Sim | 79 (65,8 %) | 23 (92,0 %) | 56 (58,9 %) | |
Conhece complicações da hipertensão | Não | 47 (39,2 %) | 5 (20,0 %) | 42 (44,2 %) |
Sim | 73 (60,8 %) | 20 (80,0 %) | 53 (55,8 %) | |
Conhece complicações do cigarro | Não | 42 (35,0 %) | 3 (12,0 %) | 39 (41,1 %) |
Sim | 78 (65,0 %) | 22 (88,0 %) | 56 (58,9 %) | |
Sabe que parar de fumar melhora a hipertensão | Não | 55 (45,8 %) | 4 (16,0 %) | 51 (53,7 %) |
Sim | 65 (54,2 %) | 21 (84,0 %) | 44 (46,3 %) | |
Presença de sintomas cardiorrespiratórios (dor torácica ou palpitação) | Nenhum | 60 (50,0 %) | 7 (28,0 %) | 53 (55,8 %) |
Apenas dor torácica | 7 (5,8 %) | 1 (4,0 %) | 6 (6,3 %) | |
Apenas palpitação | 23 (19,2 %) | 5 (20,0 %) | 18 (18,9 %) | |
Ambos os sintomas | 30 (25,0 %) | 12 (48,0 %) | 18 (18,9 %) | |
Presença de sintomas respiratórios | Nenhum | 58 (48,3 %) | 6 (24,0 %) | 52 (54,7 %) |
Apenas cansaço | 14 (11,7 %) | 6 (24,0 %) | 8 (8,4 %) | |
Apenas falta de ar | 13 (10,8 %) | 3 (12,0 %) | 10 (10,5 %) | |
Apenas tosse | 7 (5,8 %) | 1 (4,0 %) | 6 (6,3 %) | |
Cansaço e falta de ar | 5 (4,2 %) | 1 (4,0 %) | 4 (4,2 %) | |
Cansaço e tosse | 5 (4,2 %) | 1 (4,0 %) | 4 (4,2 %) | |
Falta de ar e tosse | 3 (2,5 %) | 2 (8,0 %) | 1 (1,1 %) | |
Todos os sintomas | 15 (12,5 %) | 5 (20,0 %) | 10 (10,5 %) | |
Prática de atividade física | Não | 77 (64,2 %) | 17 (68,0 %) | 60 (63,2 %) |
Sim | 43 (35,8 %) | 8 (32,0 %) | 35 (36,8 %) | |
Etilismo | Não (nunca bebeu) | 37 (30,8 %) | 1 (4,0 %) | 36 (37,9 %) |
Sim (alguma categoria) | 83 (69,2 %) | 24 (96,0 %) | 59 (62,1 %) | |
Etilismo prévio ocasional | 23 (19,2 %) | 4 (16,0 %) | 19 (20,0 %) | |
Etilismo prévio frequente | 35 (29,2 %) | 10 (40,0 %) | 25 (26,3 %) | |
Etilismo atual ocasional | 20 (16,7 %) | 7 (28,0 %) | 13 (13,7 %) | |
Etilismo atual 1 vez/semana | 3 (2,5 %) | 2 (8,0 %) | 1 (1,1 %) | |
Etilismo atual 2–5 dias/semana | 1 (0,8 %) | 1 (4,0 %) | 0 (0,0 %) | |
Etilismo atual ≥ 6 dias/semana | 1 (0,8 %) | 0 (0,0 %) | 1 (1,1 %) | |
Histórico do tabagismo | Nunca fumou | 78 (65,0 %) | 0 (0,0 %) | 78 (82,1 %) |
Ex-fumante | 17 (14,2 %) | 0 (0,0 %) | 17 (17,9 %) | |
Fuma e nunca tentou parar | 2 (1,7 %) | 2 (8,0 %) | 0 (0,0 %) | |
Fuma e já tentou parar | 23 (19,2 %) | 23 (92,0 %) | 0 (0,0 %) |
Tabela 2: Acervo Pessoal dos Autores.
Dependência de Nicotina (Teste de Fagerström)
Entre os 25 fumantes, o escore de Fagerström variou de 0 a 9 pontos (média ≈ 4,5; mediana = 4). Conforme a classificação tradicional (0–2 = muito baixa; 3–4 = baixa; 5–6 = moderada; 7–8 = alta; 9–10 = muito alta), 32% apresentaram dependência muito baixa, 20% baixa, 12% moderada, 24% alta e 12% muito alta. Considerando-se dependência elevada a partir de 6 pontos, 40% dos fumantes exibiram níveis alto ou muito alto de dependência; quando incluídas as pontuações 5–6, 48% apresentaram dependência moderada ou mais severa. Cerca de 44% tinham hábito tabágico de ≥ 10 anos e 28 % fumavam mais de 20 cigarros por dia. Esses achados estão representados na Tabela 3.
Categoria de Dependência | Intervalo de Pontos | N (%) |
Muito baixa | 0–2 | 8 (32%) |
Baixa | 3–4 | 5 (20%) |
Moderada | 5–6 | 3 (12%) |
Alta | 7–8 | 6 (24%) |
Muito alta | 9–10 | 3 (12%) |
Tabela 3: Acervo Pessoal dos Autores.
Tempo de Diagnóstico de Hipertensão
O tempo desde o diagnóstico foi estimado a partir de categorias: “menor de 1 ano”, “1–3 anos”, “3–5 anos”, “5–10 anos” e “10–20 anos”. Os fumantes tinham tempo médio aproximado de 8,3 anos e mediana de 8 anos; os não fumantes tinham média de 7,9 anos e mediana de 8 anos. Teste t aplicado a esses valores aproximados não indicou diferença significativa entre os grupos (p ≈ 0,72), sugerindo que a duração da hipertensão não influenciou o hábito de fumar.
Análise Bivariada
Na análise bivariada, descrita na Tabela 4, o consumo de álcool e a presença de sintomas respiratórios (tosse, falta de ar ou cansaço) foram os fatores mais fortemente associados ao tabagismo. Pacientes que referiram consumo atual ou pregresso de álcool apresentaram prevalência de tabagismo mais de dez vezes superior àqueles que nunca haviam ingerido álcool (RP = 10,7; IC95% = 1,5–76,1). A presença de sintomas respiratórios esteve associada a uma prevalência quase três vezes maior de tabagismo (RP = 3,0; IC95% = 1,27–6,90). Sintomas cardiorrespiratórios (dor torácica ou palpitação), conhecimento sobre riscos do fumo, conhecimento sobre benefícios da cessação, escolaridade, comorbidades, história familiar de hipertensão, sedentarismo e sexo não mostraram associações significativas na análise bruta.
Variável/comparação | Fumantes (n = 25) | Não fumantes (n = 95) | RP (IC95 %) | p valor |
Consumo de álcool (Sim vs. Nunca) | 24/25 (96,0 %) | 59/95 (62,1 %) | 10,70 (1,50–76,15) | 0,0025 |
Prática de atividade física (Sedentário vs. Ativo) | 16/25 (64,0 %) | 61/95 (64,2 %) | 0,99 (0,48–2,05) | 1,0000 |
Dor torácica/palpitação (≥ 1 sintoma vs. Nenhum) | 18/25 (72,0 %) | 42/95 (44,2 %) | 2,57 (1,16–5,70) | 0,0192 |
Sintomas respiratórios (≥ 1 sintoma vs. Nenhum) | 19/25 (76,0 %) | 43/95 (45,3 %) | 2,96 (1,27–6,90) | 0,0618 |
Conhece que fumar é fator de risco para HAS (Sim vs. Não) | 23/25 (92,0 %) | 56/95 (58,9 %) | 5,97 (1,48–24,08) | 0,0017 |
Conhece complicações da hipertensão (Sim vs. Não) | 20/25 (80,0 %) | 53/95 (55,8 %) | 2,58 (1,04–6,39) | 0,0374 |
Conhece complicações do tabagismo (Sim vs. Não) | 22/25 (88,0 %) | 56/95 (58,9 %) | 3,95 (1,25–12,43) | 0,0086 |
Sabe que cessar o tabagismo melhora a HAS (Sim vs. Não) | 21/25 (84,0 %) | 44/95 (46,3 %) | 4,44 (1,62–12,16) | 0,0007 |
Escolaridade média/superior (Médio/Superior vs. Fundamental/Nenhum) | 9/25 (36,0 %) | 27/95 (28,4 %) | 1,31 (0,64–2,69) | 0,4706 |
Comorbidades além da HAS (Sim vs. Não) | 22/25 (88,0 %) | 76/95 (80,0 %) | 1,65 (0,54–5,02) | 0,5615 |
Histórico familiar de hipertensão (Sim vs. Não) | 22/25 (88,0 %) | 87/95 (91,6 %) | 0,74 (0,26–2,08) | 0,6963 |
Sexo (Masculino vs. Feminino) | 11/25 (44,0 %) | 29/95 (30,5 %) | 1,57 (0,79–3,14) | 0,2366 |
Tabela 4: Acervo Pessoal dos Autores.
Legenda: RP – razão de prevalência (fumantes na categoria de interesse ÷ fumantes na categoria de referência); IC95% – intervalo de confiança de 95%; p-valor obtido pelos testes de associação (qui-quadrado ou exato de Fisher).
Na análise bivariada, o consumo de álcool despontou como a variável mais fortemente associada ao tabagismo: fumantes apresentaram prevalência dez vezes maior de etilismo em comparação com não fumantes (RP = 10,70; IC95 % 1,50–76,15; p = 0,0025). Observou‑se ainda que a ocorrência de sintomas cardiorrespiratórios (RP = 2,57; IC95 % 1,16–5,70; p = 0,019), sintomas respiratórios (RP = 2,96; IC95 % 1,27–6,90; p = 0,0618), o conhecimento de que o fumo é fator de risco para hipertensão (RP = 5,97; IC95 % 1,48–24,08; p = 0,0017), a consciência das complicações da hipertensão (RP = 2,58; IC95 % 1,04–6,39; p = 0,0374) e do tabagismo (RP = 3,95; IC95 % 1,25–12,43; p = 0,0086), bem como a percepção de que a cessação do tabaco melhora a pressão arterial (RP = 4,44; IC95 % 1,62–12,16; p = 0,0007) estiveram associados ao hábito de fumar. Por outro lado, sedentarismo, nível educacional, presença de comorbidades, história familiar de hipertensão e sexo não apresentaram associação significativa.
Fatores Associados ao Tabagismo
Para avaliar simultaneamente o efeito das variáveis estudadas sobre o tabagismo, ajustou‑se um modelo de regressão de Poisson com variância robusta, ilustrado na Tabela 5. Na análise bruta, consumo de álcool, sintomas cardiorrespiratórios, sintomas respiratórios e conhecimento prévio sobre os riscos e complicações do fumo mostraram associação com o desfecho. Após o ajuste multivariado, apenas o consumo de álcool e a presença de sintomas respiratórios mantiveram significância estatística. Pacientes que relataram consumo atual ou pregresso de álcool apresentaram prevalência de tabagismo quase nove vezes maior que aqueles que nunca beberam (RP ajustada = 9,19; IC95 % 1,40–60,28; p = 0,034). A presença de sintomas respiratórios (tosse, falta de ar ou cansaço) associou‑se a uma prevalência de tabagismo aproximadamente duas vezes e meia maior (RP ajustada = 2,52; IC95 % 1,07–5,94; p = 0,032). As demais variáveis (sedentarismo, sintomas cardiorrespiratórios, conhecimento do risco e da cessação, escolaridade, comorbidade, histórico familiar e sexo) não permaneceram significativas, indicando que seu impacto é menor ou inexistente na população analisada.
Variável | RP bruta (IC95 %) | RP ajustada (IC95 %) | p-valor |
Consumo de álcool | 10,70 (1,50–76,15) | 9,19 (1,40–60,28) | 0,034 |
Sedentarismo | 0,99 (0,48–2,05) | 0,94 (0,47–1,88) | 0,80 |
Sintomas respiratórios | 2,96 (1,27–6,90) | 2,52 (1,07–5,94) | 0,032 |
Sintomas cardiorrespiratórios | 2,57 (1,16–5,70) | 1,80 (0,73–4,44) | 0,25 |
Conhece fumo como fator de risco | 5,97 (1,48–24,08) | 4,08 (1,14–14,58) | 0,07 |
Conhece que cessação melhora a HAS | 4,44 (1,62–12,16) | 1,98 (0,59–6,72) | 0,28 |
Escolaridade (médio/superior) | 1,31 (0,64–2,69) | 1,26 (0,69–2,29) | 0,30 |
Comorbidade além da HAS | 1,65 (0,54–5,02) | 1,31 (0,44–3,93) | 0,41 |
Histórico familiar de hipertensão | 0,74 (0,26–2,08) | 0,92 (0,29–3,00) | 0,80 |
Sexo masculino | 1,57 (0,79–3,14) | 1,75 (1,02–2,98) | 0,08 |
Tabela 5: Acervo Pessoal dos Autores.
Regressão Logística (análise de sensibilidade)
Na análise de sensibilidade com regressão logística, o consumo de álcool manteve associação expressiva com tabagismo (OR ajustado ≈ 18,0; IC 95 % = 1,97–165,8; p = 0,011) e a presença de sintomas respiratórios exibiu OR ≈ 4,4 (IC 95 % = 1,18–16,59; p = 0,027); as demais covariáveis não foram significativas. Essas estimativas mostram que os fumantes que consomem álcool têm probabilidade muito maior de fumar do que os abstêmios, e que sintomas respiratórios também estão associados a maior chance de tabagismo. Esses valores, bem mais altos que as razões de prevalência obtidas na regressão de Poisson, ilustram a tendência da regressão logística a superestimar associações quando o desfecho é relativamente frequente.
DISCUSSÃO
Este estudo identificou prevalência de tabagismo de 20,8% entre hipertensos atendidos na Atenção Primária à Saúde (APS), proporção superior à média nacional reportada pelo Vigitel 2023, que aponta queda sustentada do tabagismo nas capitais brasileiras, com prevalência em torno de 9,3% entre adultos(4). Os achados confirmam que, apesar do declínio do consumo no Brasil, o cigarro permanece como fator de risco relevante em grupos específicos, como os portadores de hipertensão.
Observou-se associação independente do tabagismo com consumo de álcool e com sintomas respiratórios, enquanto variáveis sociodemográficas e clínicas não se mantiveram significativas. Esses resultados sugerem que comportamentos de risco desempenham papel mais determinante do que características individuais nesta população. A relação entre etilismo e tabagismo já foi amplamente descrita em estudos brasileiros, com destaque para investigações em Jequié, Bahia, que observaram, no programa Hiperdia, que 93% dos hipertensos não fumavam no momento da entrevista, mas 38,4% referiram hábito pregresso, e 50,4% já consumiram álcool, havendo associação significativa entre consumo de álcool e tabaco(6). Além disso, em uma pesquisa em Iguatu, Ceará, a cessação conjunta do álcool e do fumo foi relatada como prática incentivada por profissionais de saúde(11). Dados de São Benedito, no Ceará, também demonstraram hábitos de vida pouco saudáveis entre hipertensos, incluindo alta frequência de consumo de álcool e baixa prática de atividade física(12). Além disso, estudo em Baturité destacou o tabagismo e o etilismo como problemas centrais entre hipertensos, associados ao excesso de peso e à baixa adesão ao autocuidado(13).
A presença de sintomas respiratórios entre fumantes é consistente com evidências que apontam o impacto imediato do tabaco sobre o aparelho cardiorrespiratório, contribuindo para aumento da morbidade. Revisão em Sobral, Ceará, identificou o tabagismo, o etilismo, o sedentarismo e a hipertensão como fatores de risco modificáveis para doenças cerebrovasculares, reforçando a necessidade de abordagem integrada na APS(14). A coexistência de fatores de risco comportamentais, como álcool e tabaco, é reconhecida por potencializar danos à saúde, indicando que intervenções isoladas podem ser insuficientes.
Do ponto de vista clínico, os resultados reforçam a necessidade de estratégias integradas na APS. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tabagismo recomenda abordagem sistemática, com uso do protocolo PAAPA e oferta de aconselhamento individual ou em grupo, associado à farmacoterapia para casos de dependência moderada ou alta(15). Em nossa amostra, quase metade dos fumantes apresentou esse perfil, o que justifica a prescrição de adesivos de nicotina ou bupropiona em associação ao suporte comportamental. As diretrizes brasileiras de hipertensão também destacam que, embora a cessação não promova redução imediata da pressão arterial, o abandono do tabaco reduz substancialmente eventos cardiovasculares e mortalidade(3).
Na APS, profissionais devem abordar de forma integrada tabagismo, etilismo e outros fatores de risco cardiovascular. O Caderno de Atenção Primária nº 29 recomenda rastreamento rotineiro do uso nocivo de álcool na APS, utilizando instrumentos como CAGE ou AUDIT, seguidos de aconselhamento breve para casos positivos(16). Pacientes com dependência devem ser encaminhados a serviços especializados, como Centros de Atenção Psicossocial, conforme diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial(17). A integração entre rastreamento do tabaco e do álcool pode otimizar recursos e favorecer intervenções mais eficazes.
O fato de fumantes apresentarem maior conhecimento sobre os riscos do tabaco e sobre benefícios da cessação sugere que ações educativas têm sido direcionadas a esse grupo. Entretanto, a dependência nicotínica observada, cerca de metade com moderada ou alta dependência, reforça a necessidade de suporte intensivo. As diretrizes brasileiras de hipertensão recomendam a cessação do tabagismo, ainda que a redução direta da pressão arterial após parar de fumar seja modesta, pois o abandono do cigarro reduz eventos cardiovasculares e mortalidade(3). Programas de cessação baseados em aconselhamento breve, farmacoterapia (adesivos de nicotina, bupropiona, vareniclina) e acompanhamento regular devem ser incorporados à rotina da APS(3).
O fortalecimento dos fluxos de referência e contrarreferência também se faz necessário. Fumantes com comorbidades graves, dependência muito alta ou múltiplas tentativas prévias de cessação sem sucesso podem demandar encaminhamento a centros de referência em tabagismo ou serviços de pneumologia para abordagem multiprofissional. A Portaria n.º 2.436/2017, que estabelece a Política Nacional de Atenção Básica, reafirma o papel da APS na coordenação do cuidado e na articulação com outros níveis de atenção(18). Da mesma forma, pacientes com uso nocivo de álcool ou transtornos mentais concomitantes devem ser acompanhados em serviços especializados, conforme a linha de cuidado de álcool e outras drogas.
Os resultados devem ser interpretados à luz de limitações. A amostra foi de conveniência e pequena, reduzindo a precisão das estimativas e a generalização para outras populações. O desenho transversal impede inferir causalidade e não permitiu avaliar a temporalidade entre exposição e desfecho. Informações autorreferidas podem sofrer viés de memória ou de desejabilidade social. Por outro lado, o estudo utilizou instrumento padronizado, incluiu diversas variáveis comportamentais e empregou análise multivariada, fornecendo subsídios para o planejamento de ações na APS.
CONCLUSÃO
O tabagismo permanece prevalente entre hipertensos atendidos na APS e está associado de forma independente ao consumo de álcool e a sintomas respiratórios, indicando determinantes comportamentais predominantes. A elevada proporção de dependência nicotínica moderada ou alta reforça a necessidade de suporte intensivo. Esses achados sustentam a incorporação sistemática de grupos de cessação, rastreamento de etilismo e farmacoterapia no cotidiano da APS, articulados a linhas de cuidado já estabelecidas no SUS.
REFERÊNCIAS
AGRADECIMENTOS, APOIO FINANCEIRO OU TÉCNICO, DECLARAÇÃO DE CONFLITO DE INTERESSE FINANCEIRO E/OU DE AFILIAÇÕES
Os autores não estão filiados à nenhuma instituição e não receberam quaisquer tipos de apoio financeiro ou técnico. Por fim, declaram não se encontrar em situações de conflito de interesse que possam influenciar o desenvolvimento do trabalho, tais como emissão de pareceres, propostas de financiamento, promoções ou participação em comitês consultivos ou diretivos, e assim por diante.
Yuri Felix Brandão – Estudante; Universidade de Fortaleza; 0009-0005-6445-5324; Discente; Ensino Superior Incompleto.
Lourrany Borges Costa – Professor; Universidade de Fortaleza; 0000-0002-6334-8624; Médico, Mestre e Doutorando em Saúde Pública; Ensino Superior Completo.
Amanda Coelho Sales Bernardes – Professora; Universidade de Fortaleza; 0009-0006-6144-8441; Médica e Mestranda em Ciências Médicas; Ensino Superior Completo.
Tiago Torquato Santos Augusto Gonçalves – Estudante; Universidade de Fortaleza; 0009-0000-6319-4488; Discente; Ensino Superior Incompleto.
Bruno Santos Chaves – Estudante; Universidade de Fortaleza; 0009-0005-1810-3408; Discente; Ensino Superior Incompleto.
Luís Fernando Porto de Assis – Estudante; Universidade de Fortaleza; 0009-0005-4631-1706; Discente; Ensino Superior Incompleto.