A INTERVENÇÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL EM PACIENTES PÓS-AVC: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA

Francisca Cândido Santana[1]

Elvis Estilak lima [2]

Ana Ruth Lima Cordeiro3

Ana Maria Alves de Brito²

 Dionê Moreira da Silva²

Francisca Daliane Severino da Silva³

Alexandre Leite da Costa²

José Augusto Soares de Araujo³

        

RESUMO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade funcional e dependência, afetando o desempenho físico, cognitivo e social do indivíduo. Pode se manifestar em duas formas: o AVC isquémico, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo cerebral, e o AVC hemorrágico, decorrente da ruptura de um vaso e extravasamento de sangue no tecido cerebral, ambos resultando em danos neurológicos de diferentes intensidades. A Terapia Ocupacional (TO) tem papel fundamental na reabilitação pós-AVC, promovendo recuperação funcional, autonomia e reintegração social. O objetivo deste estudo foi analisar a intervenção da Terapia Ocupacional no processo de reabilitação funcional e social de pacientes pós-AVC, a partir de uma análise bibliometria. Realizou-se pesquisa qualitativa, descritiva, baseada em revisão de literatura narrativa, utilizando a base de dados PubMed com os descritores “occupational therapy and post-stroke or rehabilitation” e recorte temporal de 2014 a 2024. A busca inicial resultou em 902.337publicações, das quais 437.303correspondiam ao período definido; após critérios de exclusão, restaram 976 eestudos incluídos. A análise foi conduzida com o software VOSviewer (versão 1.6.1), permitindo mapear redes de coautoria, palavras-chave e instituições participantes. Os resultados indicam que a Terapia Ocupacional possui relevância crescente na reabilitação pós-AVC, atuando de forma abrangente e centrada no sujeito. Sua prática contribui para o desenvolvimento da independência funcional, a reintegração social e a melhoria da qualidade de vida, reforçando a necessidade de políticas públicas que garantam acesso precoce, integral e continuado aos serviços de reabilitação, sustentando um cuidado humanizado e baseado em evidências.

Palavras-chave: Terapia ocupacional; reabilitação; alta hospitalar; inclusão social.

ABSTRACT

Stroke is one of the leading causes of functional disability and dependence, affecting an individual’s physical, cognitive, and social performance. It can manifest in two forms: ischemic stroke, caused by the obstruction of a cerebral blood vessel, and hemorrhagic stroke, resulting from the rupture of a vessel and blood leakage into brain tissue, both leading to neurological damage of varying severity. Occupational Therapy (OT) plays a fundamental role in post-stroke rehabilitation, promoting functional recovery, autonomy, and social reintegration. The aim of this study was to analyze the intervention of Occupational Therapy in the functional and social rehabilitation process of post-stroke patients through a bibliometric analysis. A qualitative, descriptive study was conducted based on a narrative literature review, using the PubMed database with the descriptors “occupational therapy and post-stroke or rehabilitation” and a temporal cut-off from 2014 to 2024. The initial search retrieved 902,337 publications, of which 437,303 corresponded to the defined period; after applying exclusion criteria, 976 studies were included. The analysis was conducted using VOSviewer software (version 1.6.1), allowing the mapping of co-authorship networks, keywords, and participating institutions. The results indicate that Occupational Therapy has an increasing relevance in post-stroke rehabilitation, acting in a comprehensive and client-centered manner. Its practice contributes to the development of functional independence, social reintegration, and improved quality of life, reinforcing the need for public policies that ensure early, comprehensive, and continuous access to rehabilitation services, supporting humanized and evidence-based care.

Keywords: Occupational therapy; rehabilitation; hospital discharge; social inclusion.

  1. INTRODUÇÃO

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre devido à interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, provocando danos neurológicos que resultam em déficits funcionais temporários ou permanentes (1). Essa condição se manifesta em duas formas principais: o AVC isquémico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando há obstrução de uma artéria cerebral, impedindo o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao tecido nervoso; e o AVC hemorrágico, que acontece pela ruptura de um vaso sanguíneo, levando ao extravasamento de sangue e compressão das estruturas cerebrais (2).  Trata-se de uma condição que representa a segunda principal causa de morte no mundo e a primeira no Brasil, sendo considerada um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade (3).

As sequelas decorrentes do AVC variam em intensidade e duração, dependendo da área afetada e do tempo de resposta no atendimento (4). Enquanto alguns indivíduos apresentam incapacidades transitórias e conseguem recuperar parte da função com o tempo e a reabilitação adequada, outros permanecem com limitações permanentes que afetam a vida física, cognitiva e social (5). Essa diversidade de manifestações reforça a importância de estratégias de intervenção que considerem tanto o processo clínico quanto as dimensões psicossociais da vida do paciente (6).

Além das limitações motoras, como paralisia parcial, dificuldades de fala e problemas de coordenação, o AVC pode desencadear alterações cognitivas e emocionais, afetando memória, raciocínio, tomada de decisões e desencadeando ansiedade e depressão (7,8). Esses impactos, quando combinados, reduzem a qualidade de vida e dificultam a participação social (2). Evidencia-se que a reabilitação não deve restringir-se apenas à recuperação física, mas deve integrar o cuidado emocional, familiar e social, a fim de proporcionar maior autonomia e inclusão (9).

Nesse contexto, a Terapia Ocupacional exerce papel essencial ao atuar de maneira interdisciplinar e centrada no indivíduo (10). Suas intervenções promovem a recuperação funcional e a autonomia, contemplando habilidades motoras, cognitivas e sociais, além de colaborar para a adaptação do ambiente domiciliar, o treinamento de cuidadores e a reinserção social (5). Atualmente, a literatura aponta diferentes técnicas aplicadas nesse processo, como o uso de tecnologias assistivas, realidade virtual, estimulação elétrica funcional, treino orientado a tarefas e abordagens centradas no cliente, que têm demonstrado eficácia na potencialização dos resultados de reabilitação (11).

Paralelamente, surgem também abordagens comunitárias e ocupacionais que valorizam atividades significativas, o engajamento em grupos terapêuticos e programas de reabilitação baseados na inclusão social (12). Tais estratégias ampliam o alcance da reabilitação, reduzindo os efeitos do isolamento e contribuindo para a melhora da autoestima e da qualidade de vida (13). Assim, observa-se que as práticas em Terapia Ocupacional vêm evoluindo de forma a integrar técnicas inovadoras com perspectivas mais amplas de cuidado (14).

Diante desse panorama, o presente estudo tem como objetivo analisar a intervenção da Terapia Ocupacional no processo de reabilitação funcional e social de pacientes pós-AVC, a partir de uma análise bibliométrica. Pretende-se, assim, identificar as principais contribuições, técnicas utilizadas e avanços descritos na literatura entre 2014 e 2024, evidenciando a relevância da Terapia Ocupacional na promoção da autonomia, da participação social e da melhoria da qualidade de vida de pessoas acometidas por AVC (15).

3. Metodologia

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, realizada por meio de uma revisão de literatura narrativa, fundamentada em uma análise bibliométrica da produção científica sobre Terapia Ocupacional na reabilitação pós-AVC. A busca foi realizada na base de dados PubMed, utilizando os descritores e operadores booleanos “occupational therapy and post-stroke or rehabilitation”, com recorte temporal de 2014 a 2024. A pesquisa inicial identificou 902.337 publicações, das quais 437.303 correspondiam ao período estabelecido.

Após a aplicação dos critérios de exclusão desconsiderando artigos de revisão, relatos de caso e materiais editoriais, e mantendo apenas Ensaio Clínico Adaptativo e livros e documentos obteve-se um total de 976 estudos incluídos. A pesquisa contemplou três dimensões principais: a evolução do número de publicações ao longo do período analisado; a rede de colaboração entre autores; e os eixos temáticos predominantes, identificados a partir das palavras-chave.

Tabela 1: conjunto de termos para a busca na PubMed

Conjunto de combinações

Total em potencial

occupational therapy and post-stroke or rehabilitation

902.337

Fonte: os autores (2025)

Os artigos selecionados foram exportados em formato ‘.txt’ e posteriormente analisados para a construção e visualização das redes de relacionamento. Essa análise contemplou redes de coautoria (entre autores, instituições e países), coocorrência (de palavras-chave) e acoplamento bibliográfico (entre documentos). Para o processamento e mapeamento desses dados, utilizou-se o software VOSviewer (versão 1.6.1), amplamente reconhecido pela sua eficiência na organização e interpretação de grandes volumes de informações bibliográficas (16). O processo de filtragem e seleção dos dados, atendendo aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, foi conduzido conforme o esquema ilustrado na Figura 1.

Figura 1: diagrama prisma 2020 adaptado das etapas de busca

Fonte: os autores (2025)

4. Resultados e Discussões

A análise da figura 1 demonstra a evolução da produção científica acerca da reabilitação pós-AVC nos últimos dez anos. Entre 2014 e 2015, observa-se um aumento expressivo nas publicações, revelando um interesse crescente da comunidade acadêmica pelo tema. No período de 2016 a 2017 ocorreu um declínio, seguido de nova elevação entre 2017 e 2018 e estabilização entre 2018 e 2019.

O maior pico de publicações foi registrado entre 2019 e 2020, contexto marcado pela pandemia da COVID-19, que impulsionou a busca por terapias alternativas, como a realidade virtual e a tele-reabilitação. Nos anos subsequentes, percebe-se uma variação quantitativa acompanhada de maturação teórica e consolidação do interesse pelo assunto.

Figura 1: produções científicas analisadas por ano.

Fonte: os autores (2025)

No que se refere à rede de autores, destaca-se a pesquisadora Sarah e Lamb, que apresenta maior centralidade na produção científica, sendo frequentemente citada e servindo de base para novos estudos.

Essa centralidade demonstra uma cadeia de ramificação, na qual outros autores desenvolvem pesquisas fundamentadas em suas contribuições, revelando possivelmente caráter interdisciplinar ao articular conhecimentos da terapia ocupacional, fisioterapia, enfermagem e medicina reabilitadora. Além dela, pesquisadores como ‘John Young’, ‘Mary Godfrey’ e ‘Irene J. Higginson’ também ocupam posições estratégicas na rede. Observa-se, ainda, a presença de autores isolados, que apesar de não se conectarem diretamente ao núcleo principal, desenvolvem investigações de relevância específica.

Figura 2: relação entre autores agrupados por clusters.

Mapa

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Fonte: os autores (2025)

Na comparação entre os dois gráficos apresentados (Figuras 2 e 3), observa-se uma clara ordem cronológica na atuação dos autores. O Gráfico 1 apresenta uma ampla rede de conexões, refletindo a interação entre diversos grupos de pesquisa ao longo do tempo.

Já o Gráfico 2 evidencia que a maioria dos autores é antiga, como já citado, ou seja, consolidada no campo, com poucos autores novos emergindo. Nota-se a existência de 28 clusters distintos, com alguns autores em destaque devido ao tamanho de suas esferas, influência ou centralidade na rede, como ‘Sarah e Lamb’, integrante do Cluster 1, e ‘Paul’, do Cluster 24, entre outros.

Apesar do surgimento gradual de novos pesquisadores, a predominância ainda recai sobre autores de médio e longo prazo de atuação, consolidando a base teórica e metodológica da área.

Essa configuração demonstra um cenário de continuidade e renovação no campo da Terapia Ocupacional aplicada à reabilitação pós-AVC, no qual os pesquisadores experientes continuam exercendo forte influência, enquanto novos autores começam a contribuir com perspectivas contemporâneas e abordagens inovadoras. A relação entre tradição e renovação é essencial para o avanço científico, permitindo a integração de referenciais clássicos com novas tendências tecnológicas, metodológicas e interdisciplinares, fortalecendo a consolidação e evolução da área.

Figura 3: relação entre autores agrupados por clusters.

Gráfico, Mapa

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Fonte: os autores (2025)

A análise de palavras-chave representada na Figura 4, evidências os principais eixos temáticos da produção científica sobre Terapia Ocupacional na reabilitação pós-AVC. Observa-se a predominância do termo “reabilitação” como núcleo central dos estudos, refletindo o foco nas práticas terapêuticas voltadas à recuperação funcional e social de indivíduos acometidos por AVC.

O termo “humans” destaca o caráter humanizado das intervenções e o cuidado centrado no indivíduo, enquanto “rede de confecção” (network construction) remete à interconexão entre grupos de pesquisa e contextos institucionais, indicando um movimento colaborativo na produção e no compartilhamento de saberes.

Outros termos recorrentes, como “depressão”, “COVID-19” e “reabilitação pós-AVC”, ampliam a compreensão sobre os impactos emocionais e contextuais no processo de reabilitação. A presença da palavra “depressão” reforça a atenção à saúde mental durante a recuperação, e o destaque para “COVID-19” reflete os desafios da pandemia, que impulsionaram o uso de tecnologias assistivas e de tele-reabilitação.

Assim, o conjunto de palavras-chave revela a integração entre dimensões físicas, cognitivas e psicossociais do cuidado, consolidando a Terapia Ocupacional como prática interdisciplinar voltada à inclusão social, à inovação tecnológica e ao fortalecimento das redes colaborativas de pesquisa.

Figura 4: relação entre palavras-chaves agrupados por clusters.

Gráfico, Mapa, Gráfico de bolhas

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Fonte: os autores (2025)

A Figura 5, que representa a rede de universidades, evidencia a distribuição e a densidade das instituições que mais contribuem para os estudos sobre Terapia Ocupacional na reabilitação pós-AVC. Observa-se uma concentração maior de produção científica em determinados grupos universitários, que se destacam pela constância de publicações e pela amplitude das parcerias internacionais. Esses centros funcionam como polos de referência, articulando pesquisas voltadas à reabilitação funcional, às tecnologias assistivas e às práticas de inclusão social.

Figura 5: relação entre as universidades

Uma imagem contendo Diagrama

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Fonte: os autores (2025)

Por outro lado, há universidades situadas em áreas periféricas da rede, com menor densidade de conexões, mas que ainda mantêm vínculos colaborativos com os grupos centrais, contribuindo para a diversificação e expansão do campo. Mesmo com menor volume de publicações, esses núcleos emergentes desempenham papel relevante na confecção da rede científica, fortalecendo a troca de saberes e a construção de uma base mais ampla e integrada de conhecimento sobre o tema.

5. Conclusão

O presente estudo teve como objetivo analisar a intervenção da Terapia Ocupacional no processo de reabilitação funcional e social de pacientes pós-AVC, por meio de uma análise bibliométrica da produção científica entre os anos de 2014 e 2024. Os resultados obtidos apontam para um crescimento significativo das publicações voltadas à temática, evidenciando o fortalecimento da Terapia Ocupacional como campo essencial no processo de reabilitação. Esse aumento reflete o interesse global em compreender o impacto do AVC sobre a funcionalidade, a qualidade de vida e o bem-estar psicossocial, bem como em aprimorar estratégias terapêuticas e políticas de inclusão.

A análise dos dados revelou que os estudos sobre reabilitação pós-AVC estão organizados em 28 clusters distintos, representando diferentes linhas e abordagens dentro do mesmo campo de pesquisa. Essa diversidade demonstra a natureza transdisciplinar da produção científica, em que autores e instituições exploram não apenas os aspectos neurológicos e funcionais do AVC, mas também suas interfaces com temas como saúde mental, depressão, COVID-19 e promoção da saúde. Assim, o campo não se limita à reabilitação física, mas expande-se para dimensões cognitivas, emocionais e sociais, refletindo uma visão mais ampla e integrada do processo de cuidado.

As palavras-chave mais recorrentes, como reabilitação, humans, depressão e reabilitação pós-AVC, reforçam o caráter humanizado e multidimensional das intervenções terapêuticas. A presença dos termos COVID-19 e tele-reabilitação evidencia a adaptação dos serviços de saúde durante a pandemia, que impulsionou o uso de recursos tecnológicos e novas metodologias de atendimento. Esses dados indicam uma transformação na prática da Terapia Ocupacional, que passou a incorporar ferramentas digitais, ambientes virtuais e estratégias de engajamento remoto para manter a continuidade do cuidado.

No que se refere às instituições de ensino e pesquisa, observou-se um número expressivo de universidades envolvidas, com concentração inicial em grandes centros acadêmicos, especialmente em departamentos de saúde e ciências. Esses grupos apresentam forte densidade de conexões e alto impacto na produção científica internacional. Paralelamente, há também instituições periféricas na rede que, embora com menor volume de publicações, mantêm colaborações significativas com os polos centrais, contribuindo para a diversidade temática e geográfica da pesquisa. Essa configuração evidencia que, apesar de algumas instituições liderarem o cenário, há uma expansão constante da rede de conhecimento, fortalecendo o caráter colaborativo e global do campo.

Os resultados desta pesquisa revelam que o estudo da Terapia Ocupacional na reabilitação pós-AVC transcende as fronteiras disciplinares e assume um papel estratégico na promoção da saúde integral. A articulação entre universidades, pesquisadores e áreas de conhecimento reflete uma preocupação cada vez mais ampla com o conceito de AVC e suas implicações na saúde física e mental dos pacientes. Assim, reforça-se a necessidade de ampliar o acesso às práticas terapêuticas baseadas em evidências, estimular a formação de redes colaborativas e consolidar políticas públicas que garantam reabilitação precoce, integral e humanizada, voltada não apenas à recuperação motora, mas também ao bem-estar e à reintegração social dos indivíduos acometidos por AVC.

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[1]Centro Universitário Maurício de Nassau de Juazeiro do Norte, Departamento Ciências da Saúde, Rua São Francisco 1224, São Miguel, E-mail: samara.csant@gmail.com

[2] Universidade Regional do Cariri, Departamento de Ciências Bilologicas. Rua Cel.Antonio 1161, centro, E-mail: elviselima@gamil.com

8 Universidade Regional do Cariri, Departamento de Química Biologica, Rua Cel. Antonio 1161, Centro, E-mail: augusto.araujo@urca.br