O Papel do Enfermeiro na Promoção do Aleitamento Materno: Incentivo, Adesão e
Desafios para a Saúde Materno-Infantil
Introdução: O aleitamento materno é essencial para a saúde materno-infantil, promovendo o desenvolvimento saudável do bebê e fortalecendo o vínculo entre mãe e filho. No entanto, diversos desafios, como falta de informação, dificuldades na pega correta e fatores socioculturais, impactam a adesão à amamentação. O enfermeiro desempenha um papel crucial no incentivo, orientação e suporte à amamentação, atuando desde o pré-natal até o período puerperal. Objetivo: Analisar a influência do enfermeiro no incentivo e na adesão ao aleitamento materno, ressaltando as principais estratégias empregadas, os desafios enfrentados e suas contribuições para a saúde materno-infantil. Materiais e métodos: E trata-se de uma pesquisa bibliográfica integrativa, realizada em bases de dados científicas, incluindo SciELO, BVS, PubMed, BDENF, LILACS, CINAHL, Web of Science e Cochrane. A busca foi conduzida entre fevereiro e abril de 2025, utilizando descritores relacionados ao aleitamento materno, enfermagem e saúde materno-infantil. A pesquisa, uma revisão bibliográfica integrativa, analisou 10 artigos, foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e em português ou inglês. Resultados/Discussão: A análise dos estudos demonstrou que a atuação do enfermeiro no incentivo à amamentação é fundamental para melhorar as taxas de aleitamento materno exclusivo. Ações como orientação pré-natal, suporte no puerpério, identificação precoce de dificuldades e acolhimento emocional impactam diretamente a adesão materna. No entanto, desafios como falta de capacitação, alta demanda de trabalho e mitos culturais ainda dificultam a implementação eficaz dessas estratégias. O fortalecimento das políticas públicas e a capacitação contínua dos enfermeiros são fundamentais para aprimorar esse cenário. Considerações finais/Conclusão: O estudo evidencia a importância do enfermeiro no incentivo ao aleitamento materno, destacando estratégias eficazes, desafios enfrentados e sua contribuição para a saúde materno-infantil, reforçando a necessidade de valorização profissional e fortalecimento das políticas públicas de apoio à amamentação.
PALAVRAS-CHAVE: Aleitamento Materno; Enfermagem; Promoção da Saúde; Atenção Primária à Saúde e Saúde Materno-Infantil.
ABSTRACT
Introduction: Breastfeeding is essential for maternal and child health, promoting the healthy development of the infant and strengthening the bond between mother and child. However, several challenges such as lack of information, difficulties with proper latch, and sociocultural factors affect adherence to breastfeeding. Nurses play a crucial role in encouraging, guiding, and supporting breastfeeding, working from prenatal care through the postpartum period. Objective: To analyze the influence of nurses in promoting and supporting adherence to breastfeeding, highlighting the main strategies employed, the challenges faced, and their contributions to maternal and child health. Materials and Methods: This is an integrative literature review conducted in scientific databases, including SciELO, BVS, PubMed, BDENF, LILACS, CINAHL, Web of Science, and Cochrane. The search was carried out between February and April 2025, using descriptors related to breastfeeding, nursing, and maternal and child health. The integrative review analyzed ten articles published between 2020 and 2025, available in full text and in Portuguese or English. **Results/Discussion:** The analysis of the studies demonstrated that the role of nurses in promoting breastfeeding is fundamental for improving exclusive breastfeeding rates. Actions such as prenatal guidance, postpartum support, early identification of difficulties, and emotional support directly influence maternal adherence. However, challenges such as lack of training, high workload, and cultural myths still hinder the effective implementation of these strategies. Strengthening public policies and continuous nurse training are essential to improving this scenario. Considerations/Conclusion: The study highlights the importance of nurses in promoting breastfeeding, emphasizing effective strategies, challenges faced, and their contributions to maternal and child health, reinforcing the need for professional recognition and stronger public policies supporting breastfeeding.
KEYWORDS: Breastfeeding; Nursing; Health Promotion; Primary Health Care; Maternal and Child Health.
O aleitamento materno é amplamente reconhecido como a forma mais adequada de alimentação para o lactente, fornecendo todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudável, além de contribuir para a formação do vínculo entre mãe e filho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno deve ser a única fonte de alimentação do bebê até os seis meses de vida e complementado com outros alimentos até pelo menos dois anos de idade. No entanto, apesar das evidências científicas que comprovam seus benefícios, a adesão ao aleitamento materno ainda encontra desafios, como a falta de informação, dificuldades na pega correta e influências socioculturais que podem impactar negativamente essa prática.1; 19.
A taxa de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida ainda está abaixo das metas estabelecidas globalmente. Fatores como o retorno precoce ao trabalho, a ausência de políticas de incentivo e a disseminação de mitos e crenças populares interferem na continuidade da amamentação. Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel fundamental na educação, apoio e acompanhamento das nutrizes, sendo essencial para a promoção e adesão ao aleitamento materno.2; 5.
O enfermeiro, como profissional de saúde diretamente envolvido no cuidado maternoinfantil, tem a responsabilidade de orientar e incentivar a amamentação desde o pré-natal, fornecendo informações baseadas em evidências científicas sobre a importância do leite materno e a técnica correta de amamentação. A educação materna no período gestacional é essencial para preparar a mulher para os desafios da amamentação, prevenindo dificuldades futuras e reforçando a importância dessa prática.4; 16.
No puerpério, o suporte oferecido pelo enfermeiro é determinante para a continuidade do aleitamento materno. Estudos indicam que a assistência de enfermagem influencia diretamente na duração e adesão à amamentação, uma vez que muitas mulheres enfrentam dificuldades como dor, fissuras mamilares e a percepção de insuficiência láctea. O enfermeiro, ao identificar e intervir precocemente nessas situações, reduz as chances de desmame precoce e reforça a segurança materna em relação à amamentação.8; 17.
Além do apoio técnico, o enfermeiro tem um papel essencial na humanização do cuidado, proporcionando suporte emocional às mães, que muitas vezes se sentem inseguras e pressionadas em relação à amamentação. A abordagem empática e o acolhimento influenciam positivamente a decisão materna de manter a amamentação, reforçando a importância dessa prática para a saúde do bebê e da mãe.11; 16.
A relevância deste tema para a saúde pública e a sociedade pode ser sintetizada na seguinte pergunta norteadora: como a atuação do enfermeiro pode influenciar positivamente a adesão e a continuidade do aleitamento materno? A resposta a essa questão reside na compreensão de que a amamentação não é apenas uma escolha individual, mas uma estratégia essencial para a promoção da saúde infantil, prevenção de doenças e redução da morbimortalidade neonatal.14; 19.
Analisar a influência do enfermeiro no incentivo e na adesão ao aleitamento materno, ressaltando as principais estratégias empregadas, os desafios enfrentados e suas contribuições para a saúde materno-infantil.
Este estudo foi conduzido por meio de uma pesquisa bibliográfica integrativa, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas sobre o impacto das estratégias de intervenção na amamentação, com foco na atuação do enfermeiro no incentivo e adesão ao aleitamento materno.
A pesquisa foi realizada em periódicos indexados nas bases de dados: Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (PUBMED/MEDLINE), Web of Science, EMBASE, SCOPUS, Cochrane e nas Bibliotecas Virtuais de Saúde e Scientific Electronic Library Online (SciELO), por meio de estratégias de buscas elaboradas especificamente para cada base de dados.
A busca eletrônica aconteceu entre fevereiro e abril de 2025, para composição da estratégia de busca, utilizaram-se palavras em inglês e português: "Aleitamento Materno" AND "Enfermagem" AND "Promoção da Saúde" AND "Saúde Materno-Infantil".
Foram definidos como critérios de inclusão dos artigos: publicações dos últimos cinco anos (2020 a 2025) nos idiomas inglês e português. Foram excluídos artigos pagos, incompletos, estudos sem resultados ou cujo foco não respondesse à pergunta de pesquisa.
Os critérios de inclusão adotados para a seleção dos artigos foram: publicações disponíveis na íntegra, redigidas em português e inglês, publicadas entre 2020 e 2025 e que abordassem temáticas relacionadas ao papel do enfermeiro no aleitamento materno. Como critério de exclusão, foram descartados artigos que não atendiam aos critérios de idioma, acessibilidade ou pertinência ao tema proposto.
A seleção dos artigos seguiu um protocolo rigoroso, garantindo a atualização e a relevância dos estudos incluídos na revisão. A análise dos dados foi realizada de forma sistemática, permitindo a identificação de tendências, desafios e contribuições do enfermeiro na promoção do aleitamento materno.
As palavras-chave utilizadas na busca foram extraídas do site Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Aleitamento Materno; Enfermagem; Promoção da Saúde; Atenção Primária à Saúde e Saúde Materno-Infantil.
Local | N | % |
Revista Brasileira de Enfermagem | 1 | 5,88 |
BVS | 2 | 11,76 |
Pubmed | 1 | 5,88 |
Enfermagem em Foco | 1 | 5,88 |
Brazilian Journals | 1 | 5,88 |
Scielo | 5 | 29,41 |
Revista da Escola de Enfermagem da Usp | 1 | 5,88 |
Nursing Education Perspectives | 1 | 5,88 |
Revista de Pesquisa Cuidado | 1 | 5,88 |
Revista de Enfermagem UFPE | 1 | 5,88 |
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION | 1 | 5,88 |
Frontiers Of Nursing | 1 | 5,88 |
Total | 17 | 100% |
Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, identificaram-se 70 artigos, dos quais
53 foram excluídos por não abordarem a temática central da pesquisa, resultando na análise de 17 artigos neste trabalho.
A presente pesquisa teve como objetivo analisar a influência do enfermeiro no incentivo e na adesão ao aleitamento materno, destacando as principais estratégias empregadas, os desafios enfrentados e suas contribuições para a saúde materno-infantil. Os achados demonstram que a atuação do enfermeiro é de extrema relevância nesse processo, uma vez que ele está presente de forma contínua e direta nos diversos níveis de atenção à saúde, exercendo papel essencial na promoção, proteção e apoio à amamentação.18; 19.
A atuação do enfermeiro no processo de aleitamento materno é multifacetada, englobando desde a educação pré-natal até o acompanhamento no puerpério, sendo essencial para a construção de uma rede de apoio eficaz à nutriz. A presença contínua deste profissional nas diferentes etapas do cuidado materno-infantil potencializa a adesão à prática da amamentação.18; 19.
Durante o pré-natal, o enfermeiro tem a oportunidade de realizar ações educativas voltadas à preparação da gestante para o aleitamento materno, utilizando recursos didáticos e estratégias de comunicação eficazes. Essas orientações contribuem para desmistificar informações incorretas e fortalecer o vínculo da mulher com a prática da amamentação desde antes do nascimento do bebê.18; 19.
A consulta de enfermagem é um espaço privilegiado para escuta qualificada, identificação de medos, dúvidas e expectativas das gestantes quanto ao processo de amamentar. Nesse cenário, o enfermeiro pode estabelecer uma relação de confiança que favorecerá a continuidade dos cuidados no puerpério.18; 19.
Dentre as estratégias mais eficazes identificadas, destacam-se as ações educativas desenvolvidas durante o pré-natal e o puerpério, como palestras, rodas de conversa, orientações individuais e o uso de materiais educativos com enfoque nas técnicas de amamentação, nos benefícios do leite materno e na prevenção de dificuldades comuns. Essas ações contribuem significativamente para a construção do conhecimento, a conscientização e o empoderamento das gestantes e puérperas, favorecendo a adesão ao aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Além disso, a presença do enfermeiro no pós-parto imediato, auxiliando na pega correta, no posicionamento do bebê e no estímulo ao contato pele a pele, tem papel crucial no início precoce da amamentação.14; 16.
No pós-parto imediato, a intervenção precoce do enfermeiro é determinante para o sucesso da amamentação. O auxílio na primeira mamada, o estímulo ao contato pele a pele e a verificação da pega e do posicionamento adequados são ações que impactam diretamente na iniciação do aleitamento materno.2; 12.
Estudos indicam que a assistência de enfermagem qualificada no pós-parto imediato está associada ao aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo, ao reduzir as dificuldades técnicas enfrentadas pelas puérperas, como fissuras mamilares e dor durante a mamada.2; 12.
O acompanhamento longitudinal por meio de visitas domiciliares ou atendimentos ambulatoriais permite ao enfermeiro avaliar continuamente o processo de amamentação, oferecendo suporte personalizado, especialmente a mulheres em situação de vulnerabilidade social, cultural ou econômica.2; 12.
Figura1: Enfermeira auxiliando mãe na amamentação.
Fonte: https://gbringel.com/enfermeiro-obstetra-aleitamento-materno/.
O acompanhamento por meio de visitas domiciliares e atendimentos ambulatoriais também se mostrou uma estratégia relevante para a manutenção do aleitamento, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade social.7; 9.
Além do apoio técnico, o enfermeiro exerce um papel afetivo e educativo fundamental, funcionando como elo entre os serviços de saúde e a família. A escuta ativa e o acolhimento se mostraram recursos poderosos para a construção de confiança e segurança entre as lactantes, reduzindo a ansiedade e os sentimentos de insegurança comuns no início da amamentação. O estabelecimento desse vínculo profissional-afetivo favorece não apenas a adesão ao aleitamento, mas também uma experiência mais positiva e humanizada para a mulher nesse período delicado.7; 9.
A escuta ativa é uma ferramenta essencial no cuidado prestado pelo enfermeiro, pois permite compreender o contexto individual da nutriz, suas crenças, limitações e necessidades. Tal abordagem promove uma assistência humanizada e centrada na mulher.1; 5.
Além do apoio técnico, o enfermeiro exerce uma função educativa, orientando não apenas a mulher, mas também sua rede de apoio familiar, o que contribui para um ambiente mais favorável à manutenção do aleitamento.1; 5.
O papel do enfermeiro como facilitador do empoderamento materno é fundamental. Ao transmitir segurança, informações fundamentadas e acolhimento, o profissional fortalece a autonomia da mulher frente às decisões relacionadas à amamentação.1; 5.
Figura 2: Campanha de incentivo ao aleitamento materno.
Fonte: https://www.cofen.gov.br/campanha-nacional-busca-estimular-aleitamentomaterno/.
Em muitos contextos, o enfermeiro é o primeiro profissional de saúde a ter contato com a nutriz após o parto, o que lhe confere responsabilidade significativa na promoção e continuidade do aleitamento.1; 5.
O apoio do enfermeiro também é relevante na identificação precoce de intercorrências que possam comprometer a amamentação, como mastites, obstruções ductais ou sinais de hipogalactia, possibilitando intervenções oportunas e evitando o desmame precoce.1; 5.
Um aspecto importante observado nos estudos analisados é a efetividade do suporte contínuo prestado pelo enfermeiro, principalmente quando há articulação com outros membros da equipe multiprofissional. A integração entre profissionais da atenção básica, agentes comunitários, nutricionistas e pediatras potencializa o impacto das ações voltadas à promoção da amamentação. Quando o cuidado é coordenado e centrado nas necessidades da mulher e do bebê, os resultados são ainda mais expressivos, tanto na duração quanto na qualidade do aleitamento materno.1; 5.
Figura 3: Benefícios do aleitamento materno.
Fonte: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/semana-mundial-daamamentacao-destaca-a-responsabilidade-de-todos.
A capacitação contínua do enfermeiro é indispensável para a qualidade da assistência. O domínio de evidências atualizadas sobre técnicas de manejo do aleitamento, políticas públicas e direitos da lactante confere maior resolutividade às suas ações.1; 5.
O enfermeiro também atua como articulador entre diferentes setores da saúde, promovendo a integração da assistência ao aleitamento com outros serviços, como puericultura, nutrição e atenção psicossocial.2; 3.
A construção de protocolos institucionais de apoio ao aleitamento com a participação ativa dos enfermeiros contribui para padronizar condutas e fortalecer a atuação multiprofissional, garantindo maior efetividade às intervenções.2; 3.
Contudo, a atuação do enfermeiro não está isenta de desafios. A sobrecarga de trabalho, especialmente nas unidades da atenção primária à saúde, limita o tempo disponível para atendimentos individualizados e orientações mais detalhadas. Além disso, muitos profissionais relatam a falta de capacitação contínua e de atualização em relação às novas diretrizes e técnicas de manejo do aleitamento, o que pode comprometer a qualidade do atendimento. Essa lacuna evidencia a necessidade de investimentos em educação permanente e suporte institucional que garantam a autonomia e segurança dos enfermeiros em sua prática clínica.2; 3.
Figura 4: Semana Mundial de Aleitamento Materno.
Fonte: https://www.fsp.usp.br/sustentarea/2018/08/01/semana-mundial-dealeitamento-materno/.
A criação e manutenção de espaços físicos adequados à amamentação, como salas de apoio, também pode ser coordenada pelo enfermeiro, garantindo privacidade, conforto e incentivo à prática durante o retorno ao trabalho.6; 10.
O reconhecimento da importância do enfermeiro como protagonista no cuidado materno-infantil favorece sua valorização profissional, o que impacta positivamente na motivação e qualidade da assistência prestada.6; 10.
No âmbito da atenção primária à saúde, o enfermeiro exerce papel estratégico na vigilância do aleitamento, identificando precocemente casos de risco de desmame e intervindo de forma precoce.6; 10.
Outro fator limitante identificado foi a persistência de crenças e mitos culturais, muitas vezes reforçados por familiares e pela mídia, que colocam em dúvida a suficiência e a qualidade do leite materno. Situações como o retorno precoce ao trabalho, a ausência de licençamaternidade adequada ou o desconhecimento dos direitos relacionados à amamentação também representam barreiras importantes à continuidade do aleitamento exclusivo. Nesses contextos, o papel do enfermeiro como educador e defensor dos direitos da mulher lactante se mostra ainda mais relevante.11; 17.
O fortalecimento da rede de apoio à amamentação, que inclui grupos de mães, rodas de conversa e ações comunitárias, frequentemente é liderado por enfermeiros, cuja atuação promove o protagonismo feminino e o compartilhamento de experiências entre as mulheres.
A atuação do enfermeiro também contribui para a redução das iniquidades em saúde, ao garantir que mulheres em contextos de vulnerabilidade tenham acesso à informação qualificada e ao apoio necessário para amamentar.11; 17.
A humanização da assistência é um dos pilares da enfermagem, sendo o aleitamento materno um momento particularmente sensível que demanda acolhimento, empatia e respeito às escolhas da mulher.11; 17.
O enfermeiro, ao reconhecer as singularidades de cada binômio mãe-bebê, evita condutas impositivas e atua com base na escuta e no diálogo, respeitando a autonomia da mulher e favorecendo sua adesão voluntária à amamentação.11; 17.
Tabela 2: Características das publicações utilizadas nesse estudo, 2023.
LOCAL | AUTORIA | ANO | TÍTULO | CONCLUSÃO |
Revista Brasileira de Enfermagem
| CHRISTOFFEL, Marialda Moreira et al. | 2022 | Exclusive breastfeeding and professionals from the family health strategy. | O estudo analisa como profissionais da saúde percebem e promovem o aleitamento materno exclusivo na atenção primária. |
BVS | GARCÉS, Mónica Guadalupe Paredes et al. | 2023 | The role of nursing in breastfeeding in hospitalized neonates. | O estudo analisa percepções sobre amamentação em neonatos hospitalizados e a relação entre boa pega e produção de leite.
|
Enfermagem em Foco | IOPP, Patricia Hoffmann et al. | 2023 | A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO, INCENTIVO E | O estudo analisa ações de enfermeiras na atenção básica para promover e apoiar o aleitamento |
MANEJO DO ALEITAMENTO MATERNO | materno, destacando fragilidades institucionais. | |||
Pubmed | NORA, Ana Carolina Almeida de; DIAZ, Kátia Chagas Marques | 2024 | O ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO E OS BENEFÍCIOS PARA SAÚDE DO BEBÊ. | O estudo analisa a atuação do enfermeiro na promoção do aleitamento materno e destaca seus benefícios para mãe e bebê.
|
Brazilian Journals | SANTIAGO, Laura Silva et al. | 2024 | O papel do enfermeiro na promoção do aleitamento materno. | O estudo analisa práticas dos enfermeiros na promoção do aleitamento materno, destacando suporte emocional, educação e políticas de apoio.
|
Scielo
| SILVA, Clariana Falcão et al. | 2023 | Implicações da pandemia da COVID19 no aleitamento materno e na promoção da saúde. | O estudo analisa impactos da COVID-19 no aleitamento materno e nas ações de promoção da saúde na atenção básica.
|
Revista da Escola de Enfermagem da Usp | SOUZA, Silvana Regina Rossi Kissula et al. | 2022 | Aleitamento materno em tempos de COVID-19. | O estudo analisa impactos da COVID-19 no aleitamento materno, destacando mudanças na assistência, apoio, práticas e saúde emocional.
|
Nursing Education Perspectives | UHR, Stephanie D. et al. | 2023 | Attitudes Regarding Breastfeeding Education. | O estudo analisa o impacto de um módulo educativo sobre amamentação nas atitudes de estudantes de enfermagem prélicenciatura. |
Revista de Pesquisa Cuidado | VIANA, Marina Delli Zotti Souza et al. | 2021 | Nursing strategies and actions on breastfeeding: integrative review / estratégias e ações do enfermeiro no incentivo ao aleitamento materno. | O estudo analisa o impacto das estrategias e ações do enfermeiro no incentivo ao aleitamento materno.
|
Frontiers Of Nursing
| YANG, Yuan- Yuan et al. | 2023 | Enhancing the role of nurses in breastfeeding preterm infants. | Analisa barreiras e estratégias para fortalecer o papel dos enfermeiros na promoção do aleitamento materno em prematuros. |
Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
A pesquisa também revela que o reconhecimento institucional da importância do enfermeiro na promoção da amamentação é um fator determinante para a efetividade das ações. Quando há valorização profissional, incentivo à formação e condições adequadas de trabalho, os resultados são mais positivos, tanto para a prática clínica quanto para os desfechos em saúde da população materno-infantil. A criação de espaços como salas de apoio à amamentação, grupos de mães e redes de apoio comunitário, quando conduzidos por enfermeiros capacitados, fortalecem ainda mais esse processo.4; 13.
A presença do enfermeiro nas maternidades com iniciativa Hospital Amigo da Criança reforça o compromisso institucional com a promoção do aleitamento, sendo este profissional um dos principais responsáveis pela aplicação dos Dez Passos para o Sucesso da Amamentação.4; 13.
A defesa dos direitos da mulher lactante, como a licença-maternidade e o intervalo para amamentação no trabalho, também faz parte da atuação ética e política do enfermeiro, que atua como agente de transformação social.4; 13.
A pesquisa científica em enfermagem tem contribuído para ampliar o conhecimento sobre estratégias eficazes de promoção do aleitamento, fortalecendo a base teórica que subsidia a prática clínica do enfermeiro.4; 13.
Por fim, os benefícios do aleitamento materno para a saúde materno-infantil foram amplamente reforçados na literatura consultada. A prática contribui para a redução das taxas de morbidade e mortalidade infantil, prevenção de doenças crônicas na infância, desenvolvimento emocional da criança e redução de riscos à saúde da mulher, como o câncer de mama e ovário. Nesse sentido, o enfermeiro desempenha um papel crucial não apenas na orientação técnica, mas também na proteção desse direito fundamental, contribuindo para o fortalecimento da saúde pública e a construção de uma sociedade mais justa e saudável.8; 15.
O enfermeiro representa uma peça-chave na consolidação de políticas públicas voltadas à saúde da mulher e da criança, sendo sua atuação no aleitamento materno um investimento estratégico para a melhoria dos indicadores de saúde e para a construção de uma sociedade mais justa e saudável.8; 15.
Dessa forma, o fortalecimento da atuação do enfermeiro no incentivo ao aleitamento materno é uma estratégia potente e necessária para a melhoria dos indicadores de saúde no país. Investir na valorização desse profissional, por meio de formação continuada, políticas de apoio e condições dignas de trabalho, é um caminho promissor para garantir que mais mulheres se sintam acolhidas e seguras em sua decisão de amamentar.
Diante dos achados deste estudo, conclui-se que a atuação do enfermeiro exerce influência significativa no incentivo e na adesão ao aleitamento materno, sendo este profissional um agente essencial na promoção da saúde materno-infantil. Por meio de ações educativas, apoio técnico e emocional, e acompanhamento contínuo, o enfermeiro contribui para o fortalecimento da confiança materna, a superação de dificuldades na amamentação e a manutenção do aleitamento exclusivo até os seis meses de vida da criança, conforme preconizado pelas diretrizes nacionais e internacionais de saúde.3; 4.
As estratégias mais eficazes identificadas incluem a orientação durante o pré-natal, o suporte no pós-parto imediato e o acompanhamento domiciliar, especialmente quando realizadas de forma empática, individualizada e baseada em evidências. No entanto, desafios como a sobrecarga de trabalho, a escassez de tempo nas consultas, a necessidade de capacitação contínua e os fatores socioculturais ainda se impõem como obstáculos à prática do aleitamento e à atuação plena do enfermeiro nesse contexto.7; 8.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de saúde que garantam melhores condições de trabalho aos profissionais de enfermagem, promovam a educação permanente em aleitamento materno e assegurem a valorização do enfermeiro como figura central na rede de apoio à amamentação. Ao reconhecer a amamentação como prática essencial à vida e o enfermeiro como protagonista nesse cuidado, promove-se não apenas o bem-estar da criança e da mulher, mas também o avanço nos indicadores de saúde pública, contribuindo para a construção de uma sociedade mais saudável e equitativa.11; 15.