SER-DOCENTE NA PANDEMIA: VIVÊNCIA, SOBRECARGA E DESAFIOS DE PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO, TÉCNICO E TECNOLÓGICO

BEING A TEACHER IN THE PANDEMIC: EXPERIENCE, OVERLOAD AND CHALLENGES OF TEACHERS IN BASIC, TECHNICAL AND TECHNOLOGICAL EDUCATION

SER DOCENTE EN LA PANDEMIA: EXPERIENCIA, SOBRECARGA Y DESAFÍOS DE LOS DOCENTES DE EDUCACIÓN BÁSICA, TÉCNICA Y TECNOLÓGICA

AUTORES: 

Amanda Lopes Nascimento- Acadêmica do curso de Licenciatura em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Santa Inês. ORCID: 0009-0002-0241-6854.

Ana Karine Pires Miranda - Mestra em Saúde e Ambiente pela Universidade Federal do Maranhão - Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Santa Inês. ORCID:0000-0002-1298-5287.

Lucas Silveira da Silva - Mestre em Saúde da Família pela Universidade Federal do Ceará- Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Santa Inês. ORCID: 0000-0002-8591-3313.

Izolina Ângela da Silva Borges Lima - Mestra em Saúde Pública e Meio Ambiente- FIOCRUZ. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus São José de Ribamar. ORCID:  0009-0002-1344-3874. 

Cleomar Lima Pereira - Mestra em Educação pela Universidade Federal do Maranhão. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus São José de Ribamar. ORCID: 0009-0003-2988-0144.

Ilka Vanessa Meireles Santos - Mestra em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão. Professora doInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão - Campus Santa Inês. ORCID: 0009-0001-1286-7678.

Paulo da Cruz Feitosa - Especialista em Gestão em Saúde pela Universidade Estadual do Maranhão. Enfermeiro do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Santa Inês. ORCID: 0009-0007-9549-4363. 

RESUMO

Objetivo: analisar a percepção de docentes do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Maranhão em relação ao Ensino Remoto no contexto da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva de natureza qualitativa, cujos 23 participantes responderam a um questionário composto por questões abertas e fechadas no período de março e abril de 2022. Resultado: As respostas obtidas foram analisadas em dois eixos temáticos da experiência Ser-docente, quais sejam: Rotina Diária; Saúde e Estratégias Defensivas. Estresse, medo, ansiedade, angústia, sentimento de inadequação e incapacidade, entre outras sensações, foram frequentes nas respostas, além disso, o isolamento social afetou significativamente os eixos citados. Conclusão: Os resultados apontam que os docentes vivenciaram vários desafios, bem como encontraram barreiras durante o Ensino Remoto no contexto pandêmico em diferentes esferas, a capilaridade do home office conseguiu romper a já escassa separação que havia entre tempo livre e trabalho.

DESCRITORES: Trabalho Remoto; Pandemia COVID-19; Docência.

ABSTRACT

Objective: to analyze the perception of teachers of Basic, Technical and Technological Education at the Federal Institute of Maranhão in relation to Remote Teaching in the context of the pandemic caused by the SARS-CoV-2 virus. Method: This is an exploratory-descriptive research of a qualitative nature, whose 23 participants answered a questionnaire composed of open and closed questions between March and April 2022. Result: The answers obtained were analyzed in two thematic axes of the Being-teacher experience, namely:  Daily routine; Health and Defensive Strategies.  Stress, fear, anxiety, anguish, feelings of inadequacy and incapacity, among other sensations, were frequent in the responses, in addition, social isolation significantly affected the aforementioned axes. Conclusion: The results indicate that teachers experienced several challenges, as well as encountered barriers during Remote Teaching in the pandemic context in different spheres, the capillarity of the home office managed to break the already scarce separation between free time and work.

DESCRIPTORS: Remote Work; COVID-19 pandemic; Teaching.

RESUMEN

Objetivo: analizar la percepción de los profesores de Educación Básica, Técnica y Tecnológica del Instituto Federal de Maranhão en relación a la Enseñanza a Distancia en el contexto de la pandemia causada por el virus SARS-CoV-2. Método: Se trata de una investigación exploratoria-descriptiva de carácter cualitativo, cuyos 23 participantes respondieron a un cuestionario compuesto por preguntas abiertas y cerradas entre marzo y abril de 2022. Resultados: Las respuestas obtenidas fueron analizadas en dos ejes temáticos de la experiencia Ser-Maestro, a saber: Rutina diaria; Salud y Estrategias defensivas. Estrés, miedo, ansiedad, angustia, sentimientos de inadecuación e incapacidad, entre otras sensaciones, fueron frecuentes en las respuestas, además, el aislamiento social afectó significativamente los ejes mencionados. Conclusiones: Los resultados indican que los profesores experimentaron varios desafíos, así como encontraron barreras durante la Enseñanza a Distancia en el contexto pandémico en diferentes esferas, la capilaridad del home office consiguió romper la ya escasa separación entre tiempo libre y trabajo.

DESCRIPTORES: Trabajo a Distancia; Pandemia COVID-19; Enseñanza.

INTRODUÇÃO

Diversos estudos apontam um perfil epidemiológico não tão favorável aos profissionais da educação, quando comparados à população em geral. Professores, em particular, são os profissionais que mais procuram atendimentos em serviços de saúde referindo sintomas ligados aos Distúrbios de Voz Relacionados ao Trabalho (Disfonia)(1). Além disso, a categoria também se destaca no rol das doenças do Sistema Musculoesquelético e é, principalmente, associada aos Transtornos Mentais e Comportamentais, particularmente, os Transtornos de Humor (afetivos), seguidos dos Transtornos Neuróticos, relacionados ao Estresse e Somatoformes(2,3,4).

Somado a isso, no mês de março de 2020, fomos surpreendidos com a declaração, do então Diretor da Organização Mundial da Saúde, de que o elevado grau de contaminação pelo vírus SARS-CoV-2, novo coronavírus, resultou numa pandemia a nível mundial(5). Frente a esse contexto, uma série de desafios foi levantada à política de Educação e, como era de se esperar, aos docentes, foram incumbidas tanto a premente necessidade de continuidade das aulas, como uma ‘super-adaptação’ à modalidade de Ensino Remoto e seus diversos recursos tecnológicos.

Dessa forma, houve uma transição brusca de um espaço de ensino presencial, cujas variáveis e recursos educacionais eram, até então, relativamente dominados pelos docentes, para um espaço desconhecido, repleto de incógnitas, adapte-se quem puder! Como ensinar, como avaliar, o que é trabalho e o que é tempo livre, e minha saúde, onde fica meu bem-estar, reinventar-se, afinal, qual o meu lugar nessa crise?

Frente ao exposto, este trabalho é um recorte da pesquisa guarda-chuva intitulada “Ser-docente na pandemia: das percepções às narrativas do ensinar”, que buscou analisar a percepção de professores frente aos desafios impostos pelo Ensino Remoto em dois eixos da experiência Ser-docente, quais sejam: Rotina Diária; Saúde e Estratégias Defensivas. Partimos, dessa forma, da seguinte questão: quais as percepções de professores frente aos desafios impostos pelo Ensino Remoto?

2 MÉTODO

A presente investigação objetivou analisar percepções, dessa forma, houve, necessariamente, uma necessidade de imersão no universo simbólico de sujeitos. Nesse sentido, lançamos mão da pesquisa exploratório-descritiva de abordagem qualitativa, pois tratamos de questões subjetivas, culturais, valorativas e humanas(6). Ressaltamos que o período de investigação se deu nos meses de março e abril de 2022.

A pesquisa foi realizada através da colaboração entre dois Campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, a saber, o de Santa Inês-MA e o de São José de Ribamar-MA. Em relação aos participantes, a pesquisa teve como sujeitos os docentes de carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) atuantes no Ensino Médio Integrado, Técnico Subsequente e Superior dos referidos Campus, salientamos que os participantes foram de diversas áreas do conhecimento.

O Campus Santa Inês contava, no momento da pesquisa, com um total de 59 servidores docentes e São José de Ribamar 57(7). Dessa forma, utilizamos a amostragem por acessibilidade e conveniência, muito utilizada em pesquisas qualitativas e exploratórias (8). Incluímos, consequentemente, os docentes que esboçaram interesse na investigação, totalizando a amostra de 23 participantes.

Quanto à coleta de dados, por se tratar de uma investigação exploratório-descritiva de natureza qualitativa, adotamos como instrumento um questionário misto composto por 35 questões abertas e fechadas. Em virtude da pandemia que vivenciávamos, somados à ampliação do manejo e uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), utilizamos a ferramenta Google Forms, aplicativo de gerenciamento de pesquisas em formato online. Dessarte, enviamos o questionário para os e-mails dos docentes, as respostas obtidas foram lidas, tabuladas e analisadas a partir da Análise Temática(9).

Quanto aos aspectos éticos, o estudo obedeceu à Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012, a qual lança normas regulamentadoras e diretrizes de pesquisas envolvendo seres humanos, além, é claro, dos aspectos éticos e de sigilo(10). A investigação foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário do Maranhão, CAEE-52099321.7.0000.5084, sob o Parecer n. 5.079.789.

3 RESULTADOS

Obtivemos a participação de 23 educadores, que responderam ao Formulário Google. Dos respondentes, 12 eram do Campus de São José de Ribamar-MA e 11 de Santa Inês-MA, além disso, verificou-se maior participação do público masculino, 52,2%, seguido do público feminino com 47,8%. Quanto à faixa etária, 47,8% dos docentes tinham entre 31 e 40 anos de idade, após, 34,8% entre 41 e 50 anos e, por fim, 17,4% entre 51 e 60 anos.

Quanto ao estado civil, 69,6% dos respondentes eram casados e 21,7% solteiros. Quanto ao recorte família, evidenciou-se que 78,3% dos docentes possuíam filhos e 21,7% não. Dentre os que possuíam filhos, 66,7% contavam com 1 filho(a) e 33,3% de 2 a 3 filhos. Quando questionados acerca da quantidade de pessoas que residiam no mesmo domicílio, 73,9% afirmaram ter de uma a três pessoas, seguidos de 17,4% de quatro a sete pessoas e, apenas 8,7% residiam sozinhos.

Referente à quantidade de cômodos no domicílio, 34,8% referiram possuir até 7 cômodos, seguidos de 26,1% com até 3 cômodos, 21,7% até 5 e, finalmente, 17,4% mais de 7 cômodos. Quando questionados acerca da parte da casa onde trabalharam durante a pandemia/Ensino Remoto, percebeu-se que o cômodo mais citado foi o quarto em 52,2% das respostas, seguido pela sala de estar e escritório.

Quanto ao nível de escolaridade, 65,2% dos docentes eram mestres, 17,4% especialistas e 13% doutores. Referente à renda familiar, a maior parte dos respondentes está entre 8 e 10 salários-mínimos, 30,4%, seguidos de 21,7% com mais de 12 salários-mínimos.

4 DISCUSSÃO

4.1 Eixo I- Rotina Diária

Nesta parte foram investigados a prática cotidiana e os efeitos dessa nova configuração de trabalho na vivência destes profissionais. Desse modo, questionamos se durante o Ensino Remoto os docentes costumavam planejar suas rotinas diárias de trabalho. A pesquisa demonstrou que 56,5% dos docentes planejavam suas rotinas durante todo o semestre, 39,1% destacaram algumas vezes e 4,3% apontaram que raramente.

Durante o contexto pandêmico, a modalidade de Ensino Remoto se tornou uma realidade na maioria das escolas brasileiras, em que as aulas online surgiram como uma alternativa para o desenvolvimento das práticas pedagógicas. Dessa forma, como sugerem alguns autores(10), para que o processo ensino-aprendizagem ocorra de forma concreta, torna-se essencial o planejamento de ações, a mediação e articulação do docente no que se refere aos conceitos científicos e os conhecimentos prévios dos discentes. Para tanto, as atividades pedagógicas precisam estar alinhadas para conduzir o aluno a adquirir conhecimentos científicos, desenvolver-se enquanto sujeito, ao mesmo tempo que possibilitem o aluno relacioná-los com a realidade que o cerca(11).

Dessa forma, o planejamento das atividades pedagógicas é uma das etapas fundamentais do processo ensino-aprendizagem, pois ele tem a função de explicitar princípios, diretrizes, sistematizando e organizando todas as ações que vão ser desenvolvidas pelo professor. Assim, diante desse novo cenário, com aulas remotas, o planejamento tornou-se um “[...]um instrumento para o professor e para o aluno, diríamos, que principalmente, para os alunos.”(12).

Diante de uma realidade de ensino inédita para a comunidade escolar, a prática docente passou a ser vivenciada no ambiente domiciliar. Assim, durante o período de afastamento social, várias famílias tiveram que compartilhar seu tempo e espaço entre as tarefas cotidianas do lar, do trabalho e da escola. Para os sujeitos pesquisados, essa realidade não foi diferente.

No questionário aplicado, perguntamos se o cômodo da casa em que costumavam desenvolver suas atividades docentes no Ensino Remoto era destinado exclusivamente para o seu uso. Assim, obtivemos os seguintes dados: para 47,8% dos docentes, esse cômodo na casa não era exclusivo, logo, sendo compartilhado com outros moradores da casa; 30,4% apontaram que o cômodo era exclusivo, enquanto 21,7% conseguiam, na maioria das vezes, utilizá-lo somente para a prática profissional.

Gráfico 4 - Cômodo da casa em que desenvolve as atividades docentes

Essa nova realidade educacional, segundo Santana e Sales(13), “[...]tem sido convocada a reconhecer novas representações dos contextos de ensino-aprendizagem na atualidade e, mesmo que ainda de maneira tímida, instituindo novos processos educativos.” Nesse sentido, ainda referente às condições deste cômodo da casa, para realização do trabalho remoto, questionamos os docentes se esse local apresentava boas condições para realização dessa atividade. Foi apontado que para 65,2% dos participantes, algumas vezes o espaço da casa era adequado para tarefas profissionais, porém, dependia do horário. Para 26,1%, a maior parte do tempo esse local mantinha-se viável ao trabalho e 4,3% destacaram que em nenhum momento esse espaço apresentava-se em condições adequadas e, por fim, 4,3 % afirmaram que as condições eram indiferentes.

Sendo assim, podemos inferir que a relação que se estabelece com as questões de tempo e espaço do trabalho, além do ambiente domiciliar, misturaram-se, confundindo-se os momentos fora e dentro do ambiente de trabalho, como se observa nas palavras dos autores:

[...] vai-se fisicamente para casa, mas o dia de trabalho não termina, pois as “tarefas” são muitas, além das inovações tecnológicas possibilitarem a derrubada das barreiras entre o mundo pessoal e o mundo profissional (celulares e principalmente e-mails).(14)

Com relação ao desenvolvimento das atividades, mais especificamente, a conformidade entre horários destinados ao trabalho e pausas ao longo das atividades laborais, foi apontado pelos participantes que, para 43,5%, algumas vezes havia essas pausas. Para 39,1%, sempre intercalavam o trabalho com as pausas. Para 13%, raramente isso acontecia e, para 4,3%, nunca se davam pausas durante o trabalho remoto.

Nesse sentido, observamos, através de relatos nas questões abertas, que a jornada de trabalho do docente expandiu-se, ou seja, verificamos que a rotina excessiva de trabalho interferiu no tempo livre, finais de semana e, até mesmo, nas férias, no intuito de viabilizar o cumprimento das atividades solicitadas pela instituição de ensino. Dessa forma, como assinala Dejours(15), “[...]o trabalho não é, como se acredita frequentemente, limitado ao tempo físico efetivamente passado na oficina ou no escritório. O trabalho ultrapassa qualquer limite dispensado ao tempo de trabalho; ele mobiliza a personalidade por completo”. Assim, consideramos que a carga horária de trabalho desenvolvida pelo docente durante o período de aulas remotas ultrapassou limites, borrando ainda mais a linha divisória entre trabalho e tempo livre.

Em conformidade ao que foi apresentado na questão anterior, foi questionado quanto às dificuldades para separar horário livre do horário de trabalho, observamos que: 56,5% dos docentes destacaram que muitas vezes sentiam dificuldades em promover a relação entre esses horários. Para 17,4%, algumas vezes essa dificuldade aparecia. Igual quantidade (17,4%) destacaram que raramente sentiam essa dificuldade, enquanto para 8,7% dos docentes, essa dificuldade nunca acontecia.

Nessa perspectiva, consideramos que a sobrecarga de trabalho desenvolvida pelo docente durante esse período ficou, de certa forma, oculta. Uma vez que grande parte das demandas de trabalho passaram a ser realizadas durante o seu tempo livre, interferindo na administração de suas horas diárias. Isso pode ser apontado na questão da pesquisa no que se refere à administração do tempo do docente para realização do trabalho remoto e as tarefas domésticas, em que obtivemos o seguinte resultado: para 60,9%, a responsabilidade do serviço doméstico ocorria todos os dias. Para 30,4%, algumas vezes tinham que dividir seu tempo entre serviços domésticos e trabalho remoto e, para 8,7%, raramente isso acontecia.

Gráfico 5 - Tarefas domésticas

Como complemento da questão anterior, foi perguntado para os docentes, quanto à interferência do serviço doméstico no trabalho remoto. Destacamos que para 43,5%, a interferência se deu de forma intensa; para 34,8%, essa interferência acontecia algumas vezes; para 8,7%, raramente, bem como para 8,7%, não acontecia essa interferência e, por fim, para 4,3%, não percebeu nenhuma interferência. É notório que a rotina diária do docente foi afetada com o Ensino Remoto, uma vez que não foi mais possível distinguir o tempo que era despendido para a realização do trabalho acadêmico e os afazeres domésticos ou a execução de tarefas pessoais, não sendo mais possível se desligar do ambiente laboral(16).

Desse modo, verificamos que houve uma invasão da rotina de trabalho no tempo que deveria ser destinado ao descanso ou ao lazer, sendo possível constatar o real comprometimento da classe docente em cumprir o seu papel de educar, mesmo nas condições mais adversas ou em situações que exigiam desse profissional habilidades múltiplas.

4.2 Eixo II- Saúde e Estratégias Defensivas

Em relação à Saúde, quando questionados se possuíam alguma Comorbidade (Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes, obesidade), 69,6% dos respondentes afirmaram que não, seguidos de 21,7% que sim e 8,7% que não sabiam. Somado a isso, 39,1% dos docentes tiveram Covid-19, 30,4% não e 30,4% não sabiam.

Quanto aos cuidados de saúde, 47,8% dos professores afirmaram ir a consultas médicas e realizavam exames semestralmente, seguidos de 43,5% que iam a consultas e realizavam exames quando apresentavam sintomas e, por fim, 8,7% quase nunca realizavam tais ações. Em relação à prática de exercícios, 52,2% praticavam alguma atividade física ao menos três vezes por semana, 34,8% não costumavam praticar e 13% realizavam eventualmente.

Quando questionados sobre sentir-se estressado, deprimido ou ansioso durante o Ensino Remoto/Crise Sanitária, 43,5% responderam que sim, frequentemente, mas não todos os dias, seguidos de 26,1% que sentiram eventualmente, 17,4% que sim, todos os dias e, por fim, 13% que não.

Anteriormente à pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, uma série de estudos evidenciava a realidade, nada favorável, de professores, tanto do ponto de vista epidemiológico quanto da ordem do sofrimento subjetivo. Dentre as categorias profissionais elencadas em diversos estudos, os docentes figuram em vários rankings de agravos e doenças, descortinando o quão, frágeis ou inexistentes, são as políticas públicas de saúde e valorização profissional direcionadas à categoria (3,4).

Dentre os servidores públicos do estado de Santa Catarina afastados para tratamento de saúde nos anos de 2010 a 2013, 39% dos casos eram de profissionais da educação. Consequentemente, a categoria profissional mais acometida por doenças que exigiam afastamento do trabalho. Além disso, o estudo apontou que 40,14% dos casos eram de Transtornos Mentais e Comportamentais, com maior prevalência de Transtornos de Humor (F30-F39), seguidos dos Transtornos neuróticos, transtornos relacionados ao estresse e transtornos somatoformes (F40-F48)(4).

Dentre as consequências, apontadas em estudos que investigam a saúde ocupacional de professores em escolas públicas, evidencia-se que o absenteísmo funciona como um sintoma, cujas causas precisam ser investigadas para que ações e políticas públicas mais sólidas sejam elaboradas(3). Fatores como a precarização das condições de trabalho, jornadas contratuais excessivas, baixos salários, entre outros estressores, imiscuem-se. Resultando, dessa dinâmica, tanto o próprio absenteísmo, como também, tornando a realidade do professor vulnerável ao desenvolvimento de doenças e agravos (3).

 As autoras apontam ainda que, no período de 2012 a 2016, num universo composto por 2.181 professores de escolas públicas de um município da região metropolitana de Porto Alegre, das 2.931 licenças para tratamento de saúde listadas naquele período, 246 foram por questões vinculadas à saúde mental(3). Além disso, desse último número, a referida categoria profissional obteve uma prevalência de 52,4% de casos de Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o estresse e transtornos somatoformes, seguidos de 42,7% de Transtornos do humor (3).

Dessa maneira, infere-se, através do estudo apontado acima que, 11 a cada 100 professores, apresentaram algum tipo de Transtorno Mental e do Comportamento Relacionado ao Trabalho, ou seja, uma prevalência de 11% em relação à média de trabalhadores da educação naquele município. Coincidindo, consequentemente, com outros estudos realizados em diferentes regiões do país(3).

Frente às sensações experimentadas e detalhadas anteriormente (estresse-ansiedade-depressão), os docentes afirmaram que adotaram as seguintes medidas para melhorar/amenizar possíveis desconfortos, 50% realizaram atividades de lazer, 20% outras medidas e 15% praticaram atividades físicas. Vale ressaltar que, 1% afirmou uso de fitoterápicos, 1% automedicação e 1% buscou profissionais da área da saúde.

Diante dessa constatação, podemos nos indagar acerca da efetividade do lazer e do exercício físico, em relação às angústias que se apresentam. Por que apenas 1% dos docentes buscaram orientação profissional ou, por quais razões o lazer ocupa um lugar privilegiado nesse contexto? Numa sociedade em que o sujeito deve ser ‘empreendedor de si mesmo’ e na qual um profissional deve levantar esforços ‘desumanos’ para se adaptar, não surpreende que o lazer, travestido de consumo, seja a ‘saída’ imaginária mais frequente.

 Aqui, podemos pensar acerca da “gramática social do sofrimento” psíquico, conforme apontam Safatle, Júnior e Dunker(17). O Neoliberalismo, enquanto projeto político, social e econômico, descortina uma eclosão de diagnósticos, uma lógica de sofrimento possível e uma consequente culpabilização do sujeito, pois no corpo deste, recai exigências de diferentes ordens. Se o corpo não ‘performa’ conforme o idealizado, vamos operacionalizar uma resposta imediata, que dê conta e insira novamente o sujeito na grande engrenagem do sistema, numa espécie de looping. O lazer aqui, ocupa esse lugar imaginário, ele, de forma imediatista, aliviará as tensões, embora negligencie um amplo espectro de fatores.

Quando questionados acerca dos sentimentos e sensações experienciados durante o isolamento social, houve a possibilidade de selecionar variadas opções, 73,9% afirmaram sentir estresse, assim como obteve-se o mesmo percentual para desmotivação. Outros destaques foram que 69,6% sentiram desânimo e frustração, 65,2% ansiedade e 56,5% impotência. 

Alinhado ao apresentado anteriormente, podemos nos indagar tanto acerca das possibilidades de resposta dos professores frente a essas problemáticas, quanto nas consequências dessa lógica no Ser-docente. Pandemia, isolamento social, demandas e exigências exponenciais, adaptação e uso dos recursos tecnológicos, sala de aula virtual, adoecimento físico e mental, um oceano de variáveis, afinal, quais as consequências dessa dinâmica na saúde do docente? Dejours(17), traz-nos que, diante do sofrimento, os trabalhadores, coletivamente, utilizam mecanismos de defesa denominados “Estratégias Defensivas” como um recurso para minorar a percepção de uma realidade que faz sofrer, que machuca. 

Nessa conjuntura, direcionamo-nos a pensar um amálgama de fatores que contribuem para o processo de precarização das condições de trabalho desses profissionais. Há questões de ordem macroestrutural, que são negligenciadas, como o neoliberalismo, já citado, que exige do docente talentos, inteligências e habilidades múltiplas sob o comando “reinventar-se”. Além disso, a crise sanitária causada pela COVID-19 trouxe consigo uma série de problemáticas que, agregadas ao contexto anteriormente citado, eclodiu e/ou potencializou um sofrimento já instalado.

Esse imperativo da reinvenção nos remete, consequentemente, ao campo da culpa, o sujeito atribui a si próprio as responsabilidades de todo o processo de trabalho, não problematizando a violência social presente no contexto em que está inserido. Ao invés de criar defesas coletivamente(18), parece que, cada vez mais, o sujeito está ilhado. Essa individualização, vai ao encontro de Safatle, Junior e Dunker ao explanar acerca do perfil do sujeito contemporâneo, pois, hoje, todos devemos ser empreendedores, sujeitos autônomos e únicos responsáveis pelo nosso destino. Se eu fracassar, o problema é meu!(17).

A precarização, o desprestígio, somados às inúmeras exigências direcionadas ao professor no contexto da pandemia, principalmente, falando em termos de uso e manejo de ferramentas tecnológicas, imiscuiram-se e criaram um contexto extra de adoecimento(2). À vista disso, foram diversos os tipos de medos enfrentados pelos profissionais em decorrência da pandemia: medo da transição do ensino convencional para o remoto, medo de ser julgado (“fobia social”), medo do isolamento (“isolofobia”), medo do desconhecido (“xenofobia”), medo da mudança (“metatesiofobia”) e, por fim, medo da tecnologia avançada (“tecnofobia”). Refletindo sobre o assunto, autores(19) englobam todas essas categorias de medo em uma única rubrica, a “covido-pedago-phobia”.

Nesse cenário, os autores parafraseiam o marketing da agroindústria brasileira ao trabalho de professores, usando um post veiculado numa rede social, “Professora é Agro, Professora é Tec, Professora é TUDO”(2). Podemos perceber que o recorte de gênero se faz presente nessa discussão, caracterizando que quando se trata de professoras, essa realidade das ‘multitarefas’ se potencializa.

Essa discussão, leva-nos novamente à inevitável cilada do ‘reinventar-se’ que, além de romantizar uma realidade desfavorável ao docente, cria um ciclo de culpabilização dos diversos pares envolvidos no processo de ensino e aprendizagem(20). A culpa por não “produzir” é do professor ou do aluno? Infelizmente, somos condicionados a buscar um algoz, um vilão, de um lado, e uma vítima, um mocinho, de outro(20).

Esse maniqueísmo, essa facilidade de sermos seduzidos por discursos binários, escamoteiam análises profundas, impossibilitam que venhamos a criar ‘links’ entre os diversos fatores que orquestram o misto de melodia, ruído e barulho que ora analisamos.

CONCLUSÃO

Percebemos, através desta investigação, que a realidade dos docentes, durante a pandemia de Covid-19 e a premência do Ensino Remoto, impingiu uma série de alterações significativas em diferentes esferas. No que tange à Experiência Docente e Desenvolvimento Profissional, vimos que professores e professoras vivenciaram uma série de desafios, bem como se depararam com barreiras. O contexto pandêmico, a necessidade de adaptação aos recursos tecnológicos, particularmente, às TIC’s, somado ao desalinhamento das ações por parte do Ministério da Educação, entre outros fatores, engrossaram o caldo de dificuldades sentidas pelos profissionais.

Medo, ansiedade e a sensação de não se sentir apto em relação ao uso de ferramentas tecnológicas durante o Ensino Remoto foram referidos significativamente nas respostas, apontando uma realidade complexa que, na maioria das vezes, recai única e exclusivamente na figura do educador.

Quanto à Rotina Diária, notamos que a maioria dos respondentes planejava o seu dia a dia, entretanto, imiscuíram-se casa, trabalho e filhos. O denominado home office invadiu, literalmente, o quarto dos docentes, ilustrando que a linha divisória entre tempo livre e tempo de trabalho, que já era tênue, tenha se tornado inexistente no contexto pandêmico. Em relação à Saúde e Estratégias defensivas, percebemos que grande parte dos docentes teve Covid-19, assim como, houve relatos de sensação de estresse, ansiedade e depressão. Diante dessas sensações, a maioria dos docentes criaram algumas estratégias como priorizar atividades de lazer para lidar com estes afetos, entretanto, sabemos que a ausência de um espaço para repensar o Ser-docente, bem como o tolhimento de lugares para simbolizar a angústia que todos vivenciamos durante a pandemia, tornou o cenário propício a soluções e estratégias imaginárias.

Nesse percurso, notamos que um oceano de dúvidas e questionamentos acerca do Ser-Docente na pandemia pairou sobre as cabeças dos profissionais participantes da pesquisa. O contexto de crise sanitária, repleto de incógnitas de diferentes ordens, paralisou todas as nações, sem exceção, muitos perderam seus empregos, outros levaram o trabalho literalmente para casa e, infelizmente, muitos perderam suas vidas. Educadores, não puderam parar, precisaram adaptar-se, foram cobrados por todos os lados e, não tiveram tempo para refletir sobre suas identidades, seus papéis e continuaram trabalhando, desdobrando-se num cenário de precarização e desrespeito à educação.

AGRADECIMENTOS

A referida pesquisa foi realizada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica- PIBIC Ensino Superior, Edital IFMA/PRPGI Nº 25/2021, sob o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão- FAPEMA.

REFERÊNCIAS

1.Maião PM, Galvão BE, Masson MLV, Araújo TM, Ferreira LP. Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho: atividades desenvolvidas por fonoaudiólogos em Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST). Revista Brasileira de Saúde Ocupacional [Internet]. 2022 [cited 2022 Jun 21];47(19):1-9. DOI https://doi.org/10.1590/2317-6369/40520pt2022v47e19. Availablefrom: https://www.scielo.br/j/rbso/a/sM97WsRn7TJhBNQ3d36M3Xy/?format=pdf&lang=pt

2.Vital SCC, URT, S. Do imprevisível pandêmico ao intencional formativo: uma psicologia educacional/escolar para pensar o enfrentamento ao adoecimento docente. In: Negreiros F, Ferreira BO. Onde está a psicologia escolar no meio da pandemia? [E-book]. 1st ed. São Paulo-SP: Pimenta Cultural; 2021. 4, p. 118-146. E-book (1106p.).

3.Carlotto MS, Câmara SG, Batista JV, Schneider GA. Prevalência de Afastamentos por Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionados ao Trabalho em Professores. PsiUnisc [Internet]. 2018 Dec 05 [cited 2022 Jan 4];3:19-32. DOI https://doi.org/10.17058/psiunisc.v3i1.12464. Availablefrom: https://online.unisc.br/seer/index.php/psi/article/view/12464

4.Baasch D, Trevisan RL, Cruz RM. Perfil epidemiológico dos servidores públicos catarinenses afastados do trabalho por transtornos mentais de 2010 a 2013. Ciência e Saúde Coletiva [Internet]. 2017 [cited 2021 Dec 15];22:1641-1650. DOI 10.1590/1413-81232017225.10562015. Availablefrom: https://www.scielo.br/j/csc/a/TgRqjvtctpVtdkszhJ6WHDb/?format=pdf&lang=pt

5.Organização Mundial de Saúde declara pandemia do novo Coronavírus [Internet]. [placeunknown]; 2020 Mar 11. Mudança de classificação obriga países a tomarem atitudes preventivas; [revised 2023 Apr 21; cited 2021 Oct 12]; Availablefrom: https://www.unasus.gov.br/noticia/organizacao-mundial-de-saude-declara-pandemia-de-coronavirus

6.Minayo MC. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14th ed. e atual. São Paulo-SP: Hucitec; 2014. 407 p.

Sistema Unificado de Administração Pública [Internet]. [placeunknown]: DGTI/IFMA; 2022. Servidores; [revised 2023 Jan 12; cited 2022 May 9]; Availablefrom: https://suap.ifma.edu.br/admin/rh/servidor/?setor__uo=46&excluido__exact=0&categoria=docente

8.Gil AC. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo-SP: Atlas; 2019. 248 p. ISBN: 978-85-970-2098-4.

Souza Luciana Karine de. Pesquisa com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos Brasileiros de Psicologia [Internet]. 2019 [cited 2022 Dec 6];71:51-67. DOI http://dx.doi.org/10.36482/1809-5267.ARBP2019v71i2p.51-67. Available from: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/arbp/v71n2/05.pdf

10.Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprovar as seguintes diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. [cited 2022 Mar 16]. Availablefrom: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf

11.Maciel TS, Oliveira AAS. As contribuições dos estudos de Vygotski à educação: notas sobre um pensamento revolucionário. Revista Educação e Emancipação [Internet]. 2018 [cited 2022 Mar 16];11:83–107. DOI https://doi.org/10.18764/2358-4319.v11n2p83-107. Availablefrom: http://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/reducacaoemancipacao/article/view/9530

12.Menegolla M, Sant‘anna IM. Por que planejar? Como planejar? Currículo, área, aula. 22th ed. e atual. Petrópolis-RJ: Editora Vozes; 2014. 160 p. ISBN: 8532607764.

13.Santana CLS, Sales KMB. Aula em casa: Educação, Tecnologias Digitais e Pandemia Covid-19. Interfaces Científicas-: Educação [Internet]. 2020 [cited 2022 Apr 12];10:75 - 92. DOI 10.17564/2316-3828.2020v10n1p75-92. Availablefrom: https://periodicos.set.edu.br/educacao/article/view/9181/4130

14.Mancebo D, Goulart SMS, Dias VC. TRABALHO DOCENTE NA UERJ (1995-2008): INTENSIFICAÇÃO, PRECARIZAÇÃO E EFEITOS DE SUBJETIVAÇÃO. Seminário Internacional da Rede de Pesquisadores sobre Associativismo e Sindicalismo dos Trabalhadores em Educação; 2010 [Internet]. Rio de Janeiro-RJ: [publisherunknown]; 2010 [cited 2022 Apr 12]. Availablefrom: https://redeaste.irice-conicet.gov.ar/sites/default/files/Mancebo-Goulart-Dias.pdf

15.Dejours C. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção [Internet]. 2004 [cited 2022 Jun 14];14:27-34. DOI https://doi.org/10.1590/S0103-65132004000300004. Availablefrom: https://www.scielo.br/j/prod/a/V76xtc8NmkqdWHd6sh7Jsmq/?format=pdf&lang=pt

16.Mancebo D. Trabalho Docente: Subjetividade, Sobreimplicação e Prazer. Psicologia: Reflexão e Crítica [Internet]. 2007 [cited 2022 May 3];20:74-80. DOI https://doi.org/10.1590/S0102-79722007000100010. Availablefrom: https://www.scielo.br/j/prc/a/VVVXXmfQT6GbF3sjRn4rJhs/?format=pdf&lang=pt

17.Safatle V, Junior NS, Dunker C. Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico. Belo Horizonte-MG: Autêntica; 2020. 288 p. ISBN: 978-6588239810.

18.Dejours C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho [E-book]. 1st rev. ed. Paraguay Ana Isabel, translator. São Paulo-SP: Cortez; 2021. 224 p. ISBN: 978-65-5555-135-8. E-book( 224p.).

19.Eachempati P, Ramnarayan K. Covido-pedago-phobia. Medical Education [Internet]. 2020 [cited 2021 Dec 22];54:678-680. DOI https://doi.org/10.1111/medu.14257. Availablefrom: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/medu.14257

Silva LS, Junior PRM, Araujo FHN. Ensino Superior em tempos de pandemia: sofrimento, culpa e (im)produtividade. In: Negreiros F, Ferreira BO. Onde está a psicologia escolar no meio da pandemia? [E-book]. São Paulo-SP: Pimenta Cultural; 2021. 10, p. 272-286. E-book (1106p.).