Perfil Clínico-epidemiológico de Pacientes Atendidos em uma Unidade de Pronto Atendimento da Atenção Secundária em Várzea Grande, Mato Grosso
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2025v16i101p17520-17545Palavras-chave:
Sistema Único de Saúde, Unidade de Pronto Atendimento, Várzea GrandeResumo
Introdução: As Unidades de Pronto Atendimento (UPA) têm cada dia mais importância como integrantes da rede de atenção secundária do Sistema Único de Saúde. Devido ao insuficiente quantitativo de Unidades Básicas de Saúde elas têm sido o principal meio de assistência à saúde para a maioria da população. Saber o perfil clínico e epidemiológico dos pacientes atendidos nessas unidades é de suma importância para conhecer as necessidades dos pacientes e elaborar medidas para otimizar os atendimentos tanto em qualidade quanto em agilidade. Métodos: Trata-se de um estudo do tipo corte transversal prospectivo (observacional) para avaliação do perfil clínico e epidemiológico dos atendimentos em uma unidade secundária. A pesquisa foi realizada em uma UPA de grande porte do município de Várzea Grande (MT) de abril a junho de 2024. Foram incluídos na pesquisa todos os pacientes adultos e maiores de 18 anos classificados como azul, verde ou amarelo pela classificação de risco (triagem), ou seja, pacientes que foram atendidos no consultório médico pela equipe de pesquisa. Resultados: Foram incluídos neste estudo 161 pacientes da demanda espontânea, desses 63,4% eram mulheres, 34,2% trabalhavam no comércio, 78,3% tinham entre 18 e 49 anos, 84,5% não praticavam exercício físico e 60,9% tinham uma renda familiar de até dois salários-mínimos. Cefaleia foi vista em 30,4% dos pacientes e mialgia em 25,5%. Foi visto que 72 (44,7%) pacientes procuraram a UPA com 1 dia de sintoma e tiveram como desfecho da consulta alta após medicação (47,2%). HAS (18,6%) e obesidade (10,6%) foram as comorbidades mais frequentes. A principal hipótese diagnóstica aventada foi IVAS, com 16,8% dos casos. Analgésico foi administrado em 54% dos pacientes na UPA e 33 (20,5%) realizaram radiografia como exame complementar, sendo o mais frequente. Discussão: A maior prevalência de mulheres atendidas se assemelha a outros trabalhos e indica possível resistência do público masculino em procurar cuidado em saúde. Em relação ao diagnóstico de doença estabelecido, assim como em outros estudos, IVAS, dor musculoesquelética, GECA e arboviroses foram os mais frequentes, assim como em outros estudos. Conclusão: A maioria dos pacientes atendidos nesta UPA são mulheres, na faixa etária de 18 a 49 anos, que trabalham com comércio ou com atividades domésticas, solteiras e com ensino médio completo. Possuem na maior parte das vezes uma renda familiar de até dois salários-mínimos, moram em casas com rede de água e esgoto, sendo que a grande maioria não pratica atividades físicas. Os principais sintomas relatados foram cefaleia, mialgia, febre, náuseas e vômitos. A maioria dos pacientes procurou a UPA com 1 dia de sintomas e tiveram alta médica após serem medicados dentro da unidade. As principais hipóteses diagnósticas foram: infecção de vias aéreas superiores, dor musculoesquelética, gastroenterocolite aguda e arboviroses. Dentre as comorbidades, as mais prevalentes foram HAS, obesidade e DM. As classes de medicações mais prescritas foram analgésicos, anti-inflamatórios e antieméticos. Assim como os exames complementares mais solicitados foram: radiografias, laboratoriais e ultrassonografia, nesta ordem.
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