Quando o Cotidiano Ensina: Educação Permanente em Saúde em Âmbito Local

Autores

  • Ana Flávia Guimarães Moura Mestra pelo PROFSAÚDE/UNESP
  • Eliana Goldfarb Cyrino Professora Titular da Faculdade de Medicina de Botucatu

DOI:

https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v18i111p20662-20669

Palavras-chave:

Educação Permanente em Saúde, Atenção Primária em Saúde, Planejamento em Saúde, Relações interprofissionais, Pessoal de Saúde

Resumo

Objetivo: Compreender as percepções e necessidades formativas de trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde em relação à Educação Permanente em Saúde (EPS), identificando desafios e potencialidades para o fortalecimento da formação no território. Método: Pesquisa-intervenção de abordagem mista desenvolvida em Sorocaba-SP (2025-2026). Realizou-se levantamento quantitativo (n=145) e qualitativo por meio de seis rodas de conversa (n=58), analisadas via análise de conteúdo temática de Bardin. Resultados: O principal obstáculo foi a falta de tempo decorrente da sobrecarga assistencial (73%). Revelou-se um "protagonismo impedido" pelo gap entre o desejo de participar do planejamento da EPS (60%) e a percepção de ser ouvido pela gestão (43%). O teste qui-quadrado de Pearson revelou associação estatisticamente significativa entre sentir-se ouvido e o desejo de participação ativa. Emergiram propostas como reuniões garantidas em escala (tempo protegido) e construção participativa de protocolos (ex: Código Laranja). Conclusão: O fortalecimento da EPS requer a institucionalização do tempo protegido e escuta ativa.

Referências

Ceccim RB, Feuerwerker LCM. O quadrilátero da formação para a área da saúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Physis. 2004;14(1):41-65.

Ceccim RB. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface (Botucatu). 2005;9(26):161-177.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2007.

Ferreira L, et al. Educação Permanente em Saúde na Atenção Primária: uma revisão integrativa. Rev Bras Enferm. 2019;72(1):234-242.

Macêdo ND, et al. Educação permanente em saúde: desafios e barreiras na Atenção Básica. Trab Educ Saúde. 2014;12(2):301-318.

Saloti JA, et al. Organizações sociais de saúde na atenção básica: implicações para a gestão do trabalho e o cuidado. Saúde Debate. 2019;43(122):712-724.

Carneiro FM, et al. Precarização do trabalho médico na Atenção Primária: a contratação por Pessoa Jurídica. Rev Adm Pública. 2025;59(1):88-104.

Silva AR, Jorge MS. Compreensão dos trabalhadores sobre a educação permanente em saúde. Rev Saúde Pública. 2023;57(12):45-53.

Thiollent M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez; 2011.

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2011.

Starfield B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO/Ministério da Saúde; 2002.

Peduzzi M. Equipe multiprofissional de saúde: a interface entre trabalho e interação. Rev Saúde Pública. 2001;35(1):103-109.

Fortuna CM, et al. O trabalho de equipe no programa de saúde da família: reflexões a partir de conceitos do processo de trabalho e da psicossociologia. Rev Latino-Am Enfermagem. 2005;13(2):262-268.

Bondía JL. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev Bras Educ. 2002;(19):20-28.

Damschroder LJ, et al. Fostering implementation of health services research findings into practice: a consolidated framework for advancing implementation science. Implement Sci. 2009;4:50.

COSEMS/SP. Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo. Experiências Exitosas de Educação Permanente no Estado de São Paulo. São Paulo: COSEMS/SP; 2025.

Publicado

2026-07-23

Como Citar

Guimarães Moura, A. F., & Goldfarb Cyrino, E. (2026). Quando o Cotidiano Ensina: Educação Permanente em Saúde em Âmbito Local. Saúde Coletiva (Barueri), 18(111), 20662–20669. https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v18i111p20662-20669

Edição

Seção

Artigo Original